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Resenha de Desaparecidas, da Lauren Oliver

Mais um livro da Lauren Oliver pra resenhar. Êêêêhhh maravilha!

Desaparecidas, de Lauren Oliver

Desaparecidas é um thriller psicológico com lançamento previsto para o mês que vem aqui no Brasil. Vamos para o resumão (que dessa vez não vai ser capenga pois estou reproduzindo o texto oficial):

As irmãs Dara e Nick eram inseparáveis, mas isso foi antes — antes de Dara beijar Parker, antes de Nick perdê-lo como melhor amigo, antes do acidente que deixou cicatrizes no belo rosto de Dara. Agora as duas, que eram tão próximas, não estão mais se falando. Em um instante Nick perdeu tudo, e está determinada a usar o verão para conseguir sua vida de volta.
Só que Dara tem outros planos. Quando ela desaparece, no dia de seu aniversário, Nick acha que a irmã está se divertindo por aí. Mas outra garota também sumiu — Madeline Snow, de nove anos — e, conforme Nick procura pela irmã, fica cada vez mais convencida de que os dois desaparecimentos podem estar conectados.

Quem já leu a resenha que fiz sobre Delírio, não vai ficar surpreso por eu ter gostado desse novo livro. E eu gostei muito! Tem alguma coisa na escrita da Lauren que a destaca em meio aos milhares (milhões?) de escritores de ficção para jovens adultos. Mas esse não é o único trunfo de Desaparecidas.

A literatura para jovens adultos tem essa característica insuportável de priorizar romances e comédias água com açúcar, como se adolescente só gostasse de ler isso. Acho um desrespeito com os muitos jovens que querem muito mais do que isso e não conseguem encontrar. Desaparecidas é uma bela alternativa que coloca o leitor para pensar ao mesmo tempo que prende sua atenção com unhas e dentes.

A história começa devagar, com ponto de vista dividido entre as duas irmãs e, quando você menos espera, você toma aquele soco no estômago. Ha!

É assim: enquanto estamos acompanhando Dara em sua tentativa de se reencontrar depois do acidente que simplesmente a deixou perdida de todas as formas possíveis — sem se reconhecer no espelho com tantas cicatrizes, sem seus amigos, sem poder sair e ser uma adolescente normal —, ficamos torcendo por Nick, sua irmã,  que está tentando se reaproximar dela mesmo se sentindo culpada pelo acidente que elas sofreram (era Nick quem estava no volante).

Só que, por mais que você ache que está entendendo a evolução do enredo, os últimos capítulos viram a narrativa de cabeça para baixo e revelam tudo o que passou despercebido por você. Daí você lê o livro de novo e percebe que estava tudo lá, na sua cara, e você não viu.

No Brasil, o livro já está em pré-venda na Saraiva, na Folha e no Extra. Para os apressados, a edição importada está disponível na Saraiva.

RESENHA DE PANDEMÔNIO – CONTINUAÇÃO DE DELÍRIO

Finalmente li a parte 2 da trilogia Delírio, escrita por Lauren Oliver. A resenha do primeiro livro está aqui. Mais uma vez comprei a edição importada porque estava mais barata que a nacional e porque a capa é mais bonita (sim, eu escolho livro pela capa também!).

Capa de Pandemonium - Lauren Oliver

Se você não leu o primeiro livro e quer evitar a todo custo ler qualquer mínimo spoiler, eu sugiro que pare de ler imediatamente. Não tem como eu comentar sobre o livro 2 sem soltar nada sobre o livro 1. Bem, todo mundo avisado, então vamos lá.

Pandemônio (Pandemonium no original) começa de uma maneira inesperada. Lena, a protagonista, está numa escola em Nova York. Depois do final eletrizante de Delírio, você fica naquela sensação Cuma? por um bom tempo. Mas vale a pena continuar lendo e entender o que está rolando.

Este segundo livro foi organizado de um jeito diferente do primeiro. Diferente e bastante interessante. A autora quebrou a passagem do tempo linear que a gente geralmente vê em livros para jovens e intercalou capítulos sobre o passado e o presente, chamando-os apenas de “Antes” e “Agora”. Isso mesmo! Não tem Capítulo 1, Capítulo 2, etc. É Capítulo Agora, Capítulo AntesCapítulo Agora, Capítulo Antes, e assim vai.

No começo da leitura eu fiquei meio perdida, mas nada demais, logo peguei a ritmo. Ler os capítulos “Antes” (do período logo após o final do primeiro livro) intercalados com os capítulos “Agora” (período mais a frente) cria uma tensão que não te deixa parar de ler! Você vê como a Lena evoluiu num capítulo, mas fica sem entender como ela mudou tanto. Logo depois você lê sobre o processo de transformação dela e o seu queixo cai três andares. É algo comparável com o filme Amnésia (do diretor Christopher Nolan, se você ainda não assistiu, vá fazer isso agora!): você vê a resolução dos acontecimentos primeiro, e só depois entende o desenrolar dos eventos que levaram àquela resolução. Parece besteira, mas funciona incrivelmente bem.

Como era de se esperar, Pandemônio mantém a qualidade que o primeiro livro impôs. Nós conhecemos mais daquele mundo bizarro em que o amor é considerado uma doença e aprendemos mais sobre as consequências da cura. É muito interessante, especialmente se você gosta de livros/séries como Dexter e coisas assim (sim, estou falando de psicopatia! muahahaha). É um livro para jovens que respeita a inteligência e não duvida da capacidade deles de entenderem conceitos complexos. Coisa rara!

Como é um livro relativamente novo (foi lançado em 2012), ainda está um pouco caro. A edição importada está variando de R$19,00 (se você tiver sorte a Saraiva ainda está com esse preço) até R$57,00. A edição brasileira está entre R$20,00 e R$30,00 (veja pesquisa de preços aqui).

RESENHA DELIRIUM: AMOR DELIRIA NERVOSA

Delirium. Livro de Lauren Oliver. Primeiro de uma trilogia. Incrível.

Delirium

Resumidamente, é isso o que tenho a dizer do livro, que no Brasil saiu como Delírio. Os outros dois da série, Pandemonium (Pandemônio) e Requiem (Réquiem) já estão na fila para leitura (e competindo atenção com a série As Crônicas de Gelo e Fogo). Eu preciso confessar que há algum tempo não me empolgo tanto com um livro. Sério. O mundo distópico construído pela autora é muito bizarro e interessante, com os detalhes muito bem costurados. Não são exageradas as comparações com Laranja Mecânica e 1984, mas é sim um livro escrito para adolescentes, jovens adultos e adultos que ainda conseguem compreender o mundo dos jovens

O ambiente é o de uma sociedade controlada, sanitarizada, aparentemente segura e perfeita, em que o amor é uma doença (chamada Amor Deliria Nervosa) cuja cura já foi descoberta. Todas as pessoas passam pelo procedimento de cura aos 18 anos. A história segue a vida de Lena, uma garota de 17 anos que não vê a hora de concluir seu procedimento. Ela se encaixa naquela sociedade, admira os benefícios das leis impostas e não questiona a realidade ao seu redor.

“Nossa, mas como assim que um livro Young Adult não tem drama, questionamento, romance? Nessa sociedade não existe nem amor! Deve ser uma porcaria!” Calma aêh! Existe a cura, as coisas funcionam, tudo vai bem… mas não tão bem assim.

Existem pessoas que nunca passaram pelo procedimento, ou cujo procedimento falhou, existem mentiras camufladas pelo governo e pela mídia.

A alegoria que o livro faz da nossa realidade é tão incrível que eu lia cada página louca pra saber o que aconteceria na próxima porque… ai ai ai, o livro faz a gente enxergar cada absurdo que, no dia a dia, parece tão normal! Eu acho que, dentre os livros do gênero que tenho visto por aí, Delirium é mais, digamos, “maduro”. A autora desenvolveu um mundo inteiro, cheio de regras e história (existe até uma nova “Bíblia”!!! – e o nome é de dar arrepios pela genialidade do trocadilho criado pela autora!!!), mas também cheio de rachaduras e falhas. Não é só sobre a vidinha dos personagens. É complexo e surpreendente. Eu estou apaixonada pela obra.

A propósito, fiquei tão empolgada que estou até com medo de influenciar alguém demais e a pessoa não gostar do livro e ficar brava comigo. Belo dia em que a edição importada apareceu por meros 15 reais na minha frente (pessoa que compra livro por impulso).

Sobre adaptações para as telas:  A Fox comprou os direitos para transformar Delirium (e seus dois sucessores) em filme. Mas depois decidiu fazer uma série. Como a própria Lauren falou em seu Tumblr (sim, ela tem um Tumblr):

O negócio é que a Fox […] decidiu que, devido à complexidade de todas as tramas e personagens secundários, a série Delirium poderia ser mais adequada para a TV, em que teremos a oportunidade de explorar todas as elementos.

Acontece que no início de maio desse ano, saiu a notícia de que a Fox desistiu do projeto depois de reprovar o Piloto. #chatiada Espero que retomem a ideia, e que sejam leais à profundidade do tema que Lauren Oliver desenvolveu no livro e não me façam uma historinha romântica boba. #FazFavorFox

Eu, EU EU EU, acho (só acho!) que Delirium tem potencial para chamar bastante atenção do grande público e acabar se tornando o “novo” Crepúsculo. Não estou dizendo que o mesmo fenômeno de vendas vá acontecer, nem que um livro é tão bom ou melhor que o outro, muito menos que o mesmo tipo de pessoa que gostou de Crepúsculo vai gostar de Delirium. São diferentes demais para falar a verdade!  Mas fato é que franquia vampiresca já acabou. A de Jogos Vorazes também já tem data para acabar. Os fãs estão/ficarão meio que órfãos de uma nova febre… então, qual será a próxima adaptação a estourar? Pode ser né?

Um aviso MUITO importante: NÃO procurem resenhas sobre o livro. É… eu sei… estou aqui comentando sobre o livro e falando para você não procurar mais nada. Mas o problema de toda resenha que li é que o infeliz que escreveu soltou um baita spoiler! Daqueles que contam o final do livro. Aliás, todos soltaram o mesmo spoiler, o que faz parecer que andaram copiando resenha alheia (inclusive de sites gringos), mudando uma palavra aqui e ali, e publicando como se fosse conteúdo próprio e original. AFFE!

Onde tem para comprar

Em inglês (porque geralmente mais barato e a gente gosta de economizar!): só encontrei na Saraiva (que também entrega fora do Brasil!).

Em português:  tem na Saraiva; no Submarino; e mais um monte.