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POR QUE EDWARD CULLEN É UM VAMPIRO DE VERDADE

Oi, tudo bem? Meu nome é Ali e eu gosto de viver perigosamente.

PRE-RI-GO

O negócio é o seguinte: a partir de agora, vou exercitar meu talento de ser do contra e testar minha habilidade para esquivar de pedradas que (possivelmente) virão. E a razão é que eu, depois de muito pensar, passei a considerar Edward Cullen um vampiro de verdade. Sim, aquele… do Crepúsculo. Vampiro. Sério!

Edward Cullen

Nenhuma pedra virtual voadora ainda? Ok, continuemos.

Logo que Crepúsculo (principalmente o filme) começou a fazer sucesso o suficiente para incomodar quem não era fã, choveram críticas das mais diversas: falavam que a história era chata, boba e feia; que Bella não tinha expressão nenhuma; Jacob era bocózão… Mas o mais importante era: esse Vampiro é Fanta Fada. Hello, ele brilha!

Se pensarmos em outros vampiros famosos na cultura pop (livros, filmes, tv, quadrinhos e sei lá mais o quê), vemos que muitos deles são criaturas da noite, sanguinárias, que não podem encarar a luz do dia. Lestat não me deixa mentir! Mas a verdade é que este estereótipo de vampiro foi construído ao longo do tempo e sofreu inúmeras mudanças para representar diferentes significados, para atender ao objetivo do autor ou agradar o público que consome o assunto.

Mas por que Cullen não é aceito como mais uma versão do vampiro? Só porque ele brilha? E quem disse que ele não pode brilhar?

Ai, Ali, mas você já viu o Drácula brilhar?

E o Drácula é o dono da verdade agora? Sinceramente, eu não vejo motivos para massacrar a criação da Meyer por esse motivo em específico (você pode ter outros motivos, mas aí já é outra história! MUAHAHA). Afinal, o que é ser um vampiro? Ou melhor, o que afinal é a essência do vampiro?

Consultando o Dicionário de Símbolos de Chevalier e Gueerbrant, encontramos o seguinte:

Morto que supostamente sai do seu túmulo para vir sugar o sangue dos vivos. […] Segundo a tradição, aqueles que foram vítimas de vampiros também transformam-se em vampiros: são esvaziados de seu sangue e, ao mesmo tempo, contaminados. […] O vampiro mata os vivos tirando a sua substância: só consegue sobreviver graças a sua vítima.

Essa definição, assim como todas as outras presentes no dicionário, busca descrever o essencial de cada elemento, o básico, o que é mais comum a todas as variações, na tentativa de demonstrar o sentido de um símbolo.

Resumindo: o dicionário apresenta uma descrição do arquétipo.

E agora vem a polêmica: Edward Cullen se encaixa perfeitamente neste arquétipo!

#RolaProCantoFogeDaPedra

Vejamos então se Cullen atende às características do arquétipo:

Morto – CHECK
Suga sangue dos vivos – CHECK
Suas vítimas de tornam vampiros – CHECK
Sobrevive se alimentando de sangue – CHECK

Tem mais: o próprio Dicionário de Símbolos informa que o conteúdo apresentado para cada verbete é uma simples fórmula, uma referência, e que cada elemento apresentado lá foge e vai além de suas definições. Ou seja, um vampiro que brilha sob a luz do sol pode continuar sendo vampiro!

Ok, Edward e sua família sobrevivem de sangue de animais, e os animais não viram vampiro depois disso. Who cares? A essência é a mesma: um vampiro sobrevivendo por meio da morte de outro ser. Mesmo se pensarmos na relação de Edward com os humanos, o arquétipo continua funcionando, só que de uma maneira mais velada. Pense comigo: Bella arrisca a própria vida, afasta-se das pessoas, abandona sua vida para se adaptar à de Edward e antes mesmo de virar mais uma vampira, a Bella de antigamente já está “morta”.

Sabe outra coisa que pode também? Nem todas as vítimas de um vampiro se tornarem vampiros. Vide True Blood: Existem vítimas que sobrevivem aos ataques, outras que simplesmente morrem e aquelas que, depois de um processo bizarro de ser enterrado com seu criador, voltam como novos vampiros. Se não me perdi nos detalhes, o próprio Crepúsculo é similar. Nem todo mundo mordido vira vampiro.

Continuando no exemplo de True Blood, eu não me lembro de outra referência dizendo que se um vampiro morde uma fada, ele fica bêbado e ganha poderes especiais. Se está tudo bem sugar sangue de fada, por que não pode brilhar como uma fada? Preconceito, poxa!

Finalizando, o que eu quis dizer com isso tudo aí é que Edward Cullen pode não ser o melhor exemplo de criatura das sombras sugadora de sangue, mas que as características que ele possui são coerentes com o que se considera a essência do vampiro.

No mais, vampiros não existem mesmo, qual o problema de alguém mudar alguma coisa ou outra (ou todas) para escrever seu próprio livro?

RESENHA DELIRIUM: AMOR DELIRIA NERVOSA

Delirium. Livro de Lauren Oliver. Primeiro de uma trilogia. Incrível.

Delirium

Resumidamente, é isso o que tenho a dizer do livro, que no Brasil saiu como Delírio. Os outros dois da série, Pandemonium (Pandemônio) e Requiem (Réquiem) já estão na fila para leitura (e competindo atenção com a série As Crônicas de Gelo e Fogo). Eu preciso confessar que há algum tempo não me empolgo tanto com um livro. Sério. O mundo distópico construído pela autora é muito bizarro e interessante, com os detalhes muito bem costurados. Não são exageradas as comparações com Laranja Mecânica e 1984, mas é sim um livro escrito para adolescentes, jovens adultos e adultos que ainda conseguem compreender o mundo dos jovens

O ambiente é o de uma sociedade controlada, sanitarizada, aparentemente segura e perfeita, em que o amor é uma doença (chamada Amor Deliria Nervosa) cuja cura já foi descoberta. Todas as pessoas passam pelo procedimento de cura aos 18 anos. A história segue a vida de Lena, uma garota de 17 anos que não vê a hora de concluir seu procedimento. Ela se encaixa naquela sociedade, admira os benefícios das leis impostas e não questiona a realidade ao seu redor.

“Nossa, mas como assim que um livro Young Adult não tem drama, questionamento, romance? Nessa sociedade não existe nem amor! Deve ser uma porcaria!” Calma aêh! Existe a cura, as coisas funcionam, tudo vai bem… mas não tão bem assim.

Existem pessoas que nunca passaram pelo procedimento, ou cujo procedimento falhou, existem mentiras camufladas pelo governo e pela mídia.

A alegoria que o livro faz da nossa realidade é tão incrível que eu lia cada página louca pra saber o que aconteceria na próxima porque… ai ai ai, o livro faz a gente enxergar cada absurdo que, no dia a dia, parece tão normal! Eu acho que, dentre os livros do gênero que tenho visto por aí, Delirium é mais, digamos, “maduro”. A autora desenvolveu um mundo inteiro, cheio de regras e história (existe até uma nova “Bíblia”!!! – e o nome é de dar arrepios pela genialidade do trocadilho criado pela autora!!!), mas também cheio de rachaduras e falhas. Não é só sobre a vidinha dos personagens. É complexo e surpreendente. Eu estou apaixonada pela obra.

A propósito, fiquei tão empolgada que estou até com medo de influenciar alguém demais e a pessoa não gostar do livro e ficar brava comigo. Belo dia em que a edição importada apareceu por meros 15 reais na minha frente (pessoa que compra livro por impulso).

Sobre adaptações para as telas:  A Fox comprou os direitos para transformar Delirium (e seus dois sucessores) em filme. Mas depois decidiu fazer uma série. Como a própria Lauren falou em seu Tumblr (sim, ela tem um Tumblr):

O negócio é que a Fox […] decidiu que, devido à complexidade de todas as tramas e personagens secundários, a série Delirium poderia ser mais adequada para a TV, em que teremos a oportunidade de explorar todas as elementos.

Acontece que no início de maio desse ano, saiu a notícia de que a Fox desistiu do projeto depois de reprovar o Piloto. #chatiada Espero que retomem a ideia, e que sejam leais à profundidade do tema que Lauren Oliver desenvolveu no livro e não me façam uma historinha romântica boba. #FazFavorFox

Eu, EU EU EU, acho (só acho!) que Delirium tem potencial para chamar bastante atenção do grande público e acabar se tornando o “novo” Crepúsculo. Não estou dizendo que o mesmo fenômeno de vendas vá acontecer, nem que um livro é tão bom ou melhor que o outro, muito menos que o mesmo tipo de pessoa que gostou de Crepúsculo vai gostar de Delirium. São diferentes demais para falar a verdade!  Mas fato é que franquia vampiresca já acabou. A de Jogos Vorazes também já tem data para acabar. Os fãs estão/ficarão meio que órfãos de uma nova febre… então, qual será a próxima adaptação a estourar? Pode ser né?

Um aviso MUITO importante: NÃO procurem resenhas sobre o livro. É… eu sei… estou aqui comentando sobre o livro e falando para você não procurar mais nada. Mas o problema de toda resenha que li é que o infeliz que escreveu soltou um baita spoiler! Daqueles que contam o final do livro. Aliás, todos soltaram o mesmo spoiler, o que faz parecer que andaram copiando resenha alheia (inclusive de sites gringos), mudando uma palavra aqui e ali, e publicando como se fosse conteúdo próprio e original. AFFE!

Onde tem para comprar

Em inglês (porque geralmente mais barato e a gente gosta de economizar!): só encontrei na Saraiva (que também entrega fora do Brasil!).

Em português:  tem na Saraiva; no Submarino; e mais um monte.

WARM BODIES (SANGUE QUENTE): CREPÚSCULO VERSÃO ZUMBI?

Foi só pipocarem notícias sobre um “romance zumbi” que os trolls críticos de plantão começaram a espalhar o quanto era ridículo um romance envolvendo uma criatura em putrefação. “Ah, vai ser outro Crepúsculo!”

Warm Bodies - Sangue Quente

Mas Warm Bodies não parece ser bem assim… De acordo com o Omelete.

A história se passa num cenário pós-apocalíptico e segue um zumbi chamado R em crise existencial, que faz uma amizade improvável com uma humana, a namorada de uma de suas vítimas. O envolvimento dos dois acaba despertando uma reação em cadeia que causa uma transformação nele e nos outros desmortos.

Pode parecer estranho à primeira vista, especialmente se você está mais ou menos familiarizado com o arquétipo de morto-vivo cristalizado pela cultura pop. Acontece que (revelação bombástica), tudo o que envolve fantasia/ficção pode ser modificado livremente por quem quer que seja. Não existe uma regra dizendo que zumbis andam devagar, mancando, a procura de cérebros para saciar sua fome.

George A. Romero é considerado o “criador” desse tipo de zumbis no filme A Noite dos Mortos-Vivos. O personagem morto-vivo (zumbi) em si é inspirado em outras fontes (cultural haitiana, africana e etc.). Dê uma pesquisada rápida e você vai encontrar personagens parecidos no folclore brasileiro também!

O que quero dizer com isso: não é porque o Edward Cullen brilha sob a luz do sol que ele deixa de ser um vampiro, ok? Particularmente, eu não gosto da mitologia criada por Stephenie Meyer para seus vampiros (os lobisomens me agradam um pouco mais). Mas meu gosto não invalida o trabalho criativo dela! São coisas diferentes.

A julgar pelo trailer, Sangue Quente arrisca uma nova perspectiva para o mundo dominado por zumbis. Só isso já torna a coisa toda mais interessante.

O Universo Zumbi fez um artigo bem legal sobre a história (o filme é baseado em um livro) que vale muito a pena ler!

Finalmente, dá uma olhada no trailer.

Portanto, não vá tirando conclusões precipitadas! 🙂