Menina Má, de William March

Eu ando numa vibe de ler livros sobre psicopatas que só Jeová na causa…

Menina Má foi um dos últimos que li em 2016. A história me interessou porque algum passarinho psico cantou a bola que tinha uma pitada de PRE-RI-GO misturada com criança encapetada e isso foi motivo o suficiente para eu abrir o deserto que é a minha carteira. Então comprei.

Menina Má - William March

Sinopse

Rhoda Penmark é uma garotinha linda de 8 anos com uma personalidade forte. Inteligente, simpática, obediente e muito mais esperta que outras crianças de sua idade, ela é admirada por adultos e evitada por outras crianças. Depois de perceber a indiferença de Rhoda pela morte de um colega de escola, sua mãe Christine passa a avaliar vários eventos ao longo da vida da filha, tentando entender porque a menina não faz amigos de sua idade. A partir daí, as memórias fragmentadas que Christine tem de sua infância começam a fazer sentido.

Bad Seed, no original, foi lançado em 1954. A edição que comprei saiu em 2016 e é da Darkside Books, também conhecida como A Editora que me levará à falência completa.

Na primeira cena, Rhoda está indo para um piquenique de sua nova escola na casa de verão de suas professoras. O pai da menina está viajando a trabalho e a mãe está se adaptando à vida na nova vizinhança. Há uma vizinha super simpática, um zelador mal encarado, uma vida rotineira de dona de casa e uma curiosidade desconcertante de uma mãe, Christine, que não entende muito bem sua filha.

O livro começa lento, muito lento, mas quando finalmente engata, prende o leitor. Ele não é bem um mistério: logo de cara você entende o que está acontecendo. O narrador é omnisciente e mostra para você o que se passa na cabeça de cada um dos personagens. Mas os personagens não sabem de tudo o que acontece ao seu redor e essa é a grande jogada desse livro.

O que atrai o leitor e o segura até a última página é o desenrolar dos acontecimentos e como cada personagem reage a eles. Ver a mãe de Rhoda aprendendo pouco a pouco sobre a filha e chegando lentamente às conclusões que vão explicar tudo causa uma ansiedade enorme. Te faz torcer por ela, sabe como é?

As reações e comportamentos de personagens secundários também causam emoção, geralmente tensão, pois a história parece estar a ponto de se revelar em vários momentos, mas tem várias reviravoltas que empurram o enredo por mais alguns capítulos. Todos os personagens são bem desenvolvidos, parecem gente de verdade, e você consegue se colocar no lugar deles e “sentir” os acontecimentos. Muitas vezes me peguei imaginando como reagiria em cada situação.

É uma leitura leve, mas ainda assim complexa.

Apresentação Física

A edição da Darkside, como a maioria de seus livros (encontrei uma exceção triste, mas fica para outro post), é capa dura e #lindademorrer! Além da montagem com o rosto rasgado da boneca (foto acima), a contracapa e o interior são trabalhados também, com objetos e cenas que remontam à história. O projeto gráfico é muito bonito mesmo!

Tradução e revisão fizeram seu trabalho: texto bem escrito e sem erros (pelo menos não estou me lembrando de nenhum agora). Num mercado em que editoras grandes não sabem sequer conjugar um verbo, é de se admirar que a Darkside tenha lançado um trabalho decente.

Menção desonrosa para a pessoa infeliz (cujo nome prefiro não citar) que escreveu a introdução do livro. É o tipo de texto dispensável que tenta apresentar o livro, mas acaba mandando um spoiler do final logo de cara. Fiquem avisados: não leiam a introdução antes de ler o livro!  Fico imaginando que tipo de bagulho essa gente consome para fazer uma cagada dessa. Parece que ficou com ciúme do autor e tentou estragar a experiência do leitor só de pirraça. Credo!

Onde comprar

Eu comprei o meu no Submarino junto com outros produtos (e no final ficou mais barato), mas também tem na Saraiva. Comprando a partir desses links, você gera comissão para blog sem pagar nada mais por isso.

Resenha de “Fala sério, amiga!”

Entre todos os livros ruins que já li, essa coletânea de “crônicas” ganha disparado. Fala sério, amiga! conseguiu superar o meu ódio por The Summer Prince sem a menor dificuldade (e olha que Summer Prince é uma merda, hein).

Da autora Thalita Rebouças, segue o resumão capenga da “obra”:

Os mini contos seguem a sua personagem mais famosa, a Malu, por alguns anos de sua vida nada interessante. Tem um ou alguns capítulos para quase cada ano de vida de Malu, dos 3 anos até os 21. Basicamente, o livro se resume a algumas frases engraçadas aqui (a única coisa positiva do livro todo), algumas situações constrangedoras para crianças de 2 anos ali, uma forçação de barra para criar um climax meio morno acolá, e é isso. Sérião, que tédio a vida da Malu! E que tédio esse livro.

A escrita não é lá essas coisas, o que não surpreende considerando a faixa etária pouco definida. Às vezes, parece livro para pré-adolescente, outras vezes, para adolescentes. E ainda tem as vezes em que parece que escreveram para alguém com sérios problemas de personalidade. [Na verdade, isso é um problema que venho percebendo em obras desse tipo produzidas no mercado brasileiro: livro para adolescente com protagonista de 30 anos, tramas adequadas para crianças sendo vendidas para adolescentes, narração de estupros e outros temas seríssimos sem o menor cuidado ou inteligência e por aí vai… tem muita coisa esquisita acontecendo nesse meio aí. Mas voltemos ao livro resenhado.]

Como eu estava dizendo, a escrita não é muito elaborada, e o humor por vezes é forçado e nada engraçado, mas isso não é a pior coisa de Fala sério, amiga!. A pior coisa do livro é a sensação de que a autora aprendeu a contar histórias ontem e insiste em diversos erros e vícios como explicar demais; contar 50 anos do passado de cada situação antes de entrar na história que interessa; “falar” ao invés de “mostrar”; e sempre terminar cada conto com uma estrutura clichê do tipo e-viveram-felizes-para-sempre ou sua variação a-Malu-é-fofa-e-resolve-tudo-sempre. VTNC, Malu!

Parece um diário em que a gente escreve de qualquer jeito tudo o que aconteceu no dia, citando alguns diálogos, só para conseguir lembrar depois. Ou quando a gente conta sobre um evento do nosso dia para os amigos na mesa do bar. Ou aquele livro escrito às pressas para aproveitar o momento e tentar arrecadar uns trocados.

Nem a capa do livro salva. Uma edição tem um desenho tosquérrimo de uma boneca de idade indecifrável (assim como a faixa etária alvo do livro) com uma roupa anos 70 parecendo estar loucona no ácido. Outra capa é um laranjão no fundo, o título do livro e o nome da autora numa fonte simples na frente e acabou. Será que pensaram em melhorar a primeira capa e faltou dinheiro para pagar um designer?

Ah sim, e a personagem principal só conhece um adjetivo: fofa. Dos 3 aos 21 anos, é só isso que ela sabe usar para elogiar A SI MESMA. Todo mundo tem defeito, mas ela é fofa. Fofa. Fofa. Fofa. [Parece uma youtuber que conheço.] Sabe quando você não consegue gostar da protagonista? Então…

Ah, e sabe de mais uma coisa? Eu comecei (e desisti!) a ler um livro para a mesma faixa etária por outra autora brasileira (mais jovem e cujo nome nem vou citar para não comprar briga com dois fandoms ao mesmo tempo) e adivinhem! O estilo de tal “autora”, se é que podemos chamar esse clichêzão literário de estilo, é uma cópia descarada da Thalita Rebouças. Igualzinho! O jeito de começar e terminar cada capítulo, a (falta de) profundidade nos temas, a (paupérrima) caracterização das personagens, o festival de estereótipos de adolescentes (sabe quando adulto acha que adolescente é burro? então…), está tudo lá. Preocupante! Olha o nível de leitura dos autores brasileiros que estão conseguindo colocar livro no mercado. Lê e copia na cara dura, e nem pra me copiar algo que preste. Hebe, me leva!!!

Depois de ler esse desperdício de papel, eu fiquei me perguntando se valeu a pena. Será que vendeu o suficiente pra pagar o salário de todo mundo envolvido? Espero que sim! Mas mesmo que tenha, me entristece saber que esse é o nível de produção literária de uma das maiores best-sellers do público infanto-juvenil no nosso país.

Fala sério, que porcaria de livro!

Pega um livro bosta desse e compara com algum da Lauren Oliver ou do John Green para a mesma faixa etária e é outro 7 x 1 pra ficar pra história.

Fala sério, Rocco!

NÃO RECOMENDO desperdiçar seu dinheiro nesse livro. Mas se você tiver curiosidade científica, gostar de sofrer, ou curtir dar risada da incompetência alheia, vai com tudo nos links a seguir. Do mais barato ao mais caro: no Submarino, na Livraria Cultura, na Fnac e na Saraiva.

Se o livro fosse bom, o blog receberia comissão por cada venda feita a partir dos links. Mas não vai vender nenhuma cópia por aqui: é ruim e já foi lançado faz uns anos. Ufa!

Resenha de Serial Killers – Anatomia do Mal

Oi, tudo bem? Eu leio livros sobre psicopatas e você?

Já fazia um tempo que eu estava procurando um livro para aprofundar no assunto (porque a pessoa aqui não é lá muito normal e adora assuntos escabrosos, mas abafa!) e, depois de pesquisar vários, resolvi comprar o Serial Killers – Anatomia do Mal, de Harold Schechter. Preparados para mais uma resenha tosca? Bora lá!

Harold Schechter é uma autoridade mundial no assunto, tem vários livros publicados e esse em específico saiu no Brasil pela “divisão” Crime Scene da editora DarkSide Books (mais sobre ela a seguir, vamos focar no livro agora).

Sinopse capenga

Não é um livro de ficção! Anatomia do Mal é uma introdução para todos os interessados em entender a mente dos psicopatas. O livro explica o quê é o quê, quem é quem, derruba mitos, exibe fatos pouco conhecidos, relata casos reais, faz relações com a cultura pop e o imaginário coletivo. É um livro denso, longo (500 páginas de muito sangue!) e prende o leitor até o fim.

Apesar do assunto ser pesado, o livro não traz fotos chocantes (o que foi um alívio para o meu estômago), mas preciso admitir que algumas passagens são tão terríveis que eu precisei dar um tempo antes de continuar. Espere só até chegar a uma carta escrita por um criminoso para a mãe de umas de suas vítimas! Existe um lugar no inferno especial para esse desgraçado! Grrrrrrrrrrrr

Tradução e apresentação física

Fiquei impressionada com a qualidade da tradução: sem erros, bem adaptada, sem trechos bizarros em que a gente fica tentando imaginar qual era o texto original e o que queria dizer. Aprovado.

O papel usado é daquele meio bege (a ignorante aqui não sabe o nome correto nem a gramatura, mas phodaz!) o que deixa o livro um pouco menos pesado e sem deixar as páginas transparentes. É bão! É o tipo de papel que não se usa em livro infantil porque criança rasga tudo, mas não é um problema para esse livro que é expressamente indicado para maiores de 18 anos. A propósito, pessoas sensíveis devem passar longe!

A editora DarkSide Books se gaba por manter um padrão de qualidade quase psicopata. Onde assina? É a mais pura verdade. A galera lá deve ser doente e eu quero ser amiga deles. #WeirdosUnite

Esse foi o primeiro livro da DarkSide que comprei e já virei fangirl. FUUU! Vou falir!!! Alguém me socorre. Já quero vários outros.

O livro tem capa dura, o design é super bem feito (aprende, Galera Record!!!), a encadernação é de qualidade (é um livro de 500 páginas e isso força muito a costura) e não cedeu até hoje, a diagramação é invejável… não tenho palavras o suficiente para elogiar o trabalho que foi feito para esse lançamento. Sério! Nota 10. Não tem onde botar defeito. Até o marcador de página que vem junto foi pensado: ele imita a faixa amarela que a polícia americana usa para isolar cenas de crime (Crime Scene, sacou?). A gente tem aquele gosto de pegar o livro, de vê-lo na estante…

Sobre a Darkside

A editora é especializada em livros de fantasia e horror, esquisitices e afins. Dei uma geral em vários lançamentos deles e olha, o nível de qualidade é o mesmo em todos os livros que vi. Sabe aquela encadernação insana de linda de A Menina Submersa? Pois é, Darkside que fez. O capa dura sangrenta de O Demonologista? Também. O medo em forma de livro de Exorcismo (que está na minha lista de desejos anormais)? Também foi essa maldita dessa DarkSide.

Apesar de eu não ter recebido um centavo pra puxar o saco, já estou fazendo isso então é melhor não tentar me explicar. É uma relação de amor e ódio com esta editora: amando os livros, odiando o rombo no meu maltratado bolso. Fazer o quê? O negócio é aceitar que dói menos e chorar encolhida debaixo do chuveiro. Cadê minha carteirinha do fã-clube?

Onde comprar: comprei no Submarino meses atrás e lá continua mais barato. Mas também tem na Saraiva e na Livraria Cultura. Confira se o valor do frete pra sua região deixa o preço final mais baixo antes de confirmar a compra. Lembre que o blog recebe comissão pelas compras feitas pelos links daqui, ok?

Pra quem gosta do assunto, a própria editora tem outros livros semelhantes, além dos clássicos da brasileira Ilana Casoy: Arquivos Serial Killers: Louco ou Cruel?; Arquivos Serial Killers: Made in Brazil;ou o box dos dois livros com desconto.

 

Resenha de Desaparecidas, da Lauren Oliver

Mais um livro da Lauren Oliver pra resenhar. Êêêêhhh maravilha!

Desaparecidas, de Lauren Oliver

Desaparecidas é um thriller psicológico com lançamento previsto para o mês que vem aqui no Brasil. Vamos para o resumão (que dessa vez não vai ser capenga pois estou reproduzindo o texto oficial):

As irmãs Dara e Nick eram inseparáveis, mas isso foi antes — antes de Dara beijar Parker, antes de Nick perdê-lo como melhor amigo, antes do acidente que deixou cicatrizes no belo rosto de Dara. Agora as duas, que eram tão próximas, não estão mais se falando. Em um instante Nick perdeu tudo, e está determinada a usar o verão para conseguir sua vida de volta.
Só que Dara tem outros planos. Quando ela desaparece, no dia de seu aniversário, Nick acha que a irmã está se divertindo por aí. Mas outra garota também sumiu — Madeline Snow, de nove anos — e, conforme Nick procura pela irmã, fica cada vez mais convencida de que os dois desaparecimentos podem estar conectados.

Quem já leu a resenha que fiz sobre Delírio, não vai ficar surpreso por eu ter gostado desse novo livro. E eu gostei muito! Tem alguma coisa na escrita da Lauren que a destaca em meio aos milhares (milhões?) de escritores de ficção para jovens adultos. Mas esse não é o único trunfo de Desaparecidas.

A literatura para jovens adultos tem essa característica insuportável de priorizar romances e comédias água com açúcar, como se adolescente só gostasse de ler isso. Acho um desrespeito com os muitos jovens que querem muito mais do que isso e não conseguem encontrar. Desaparecidas é uma bela alternativa que coloca o leitor para pensar ao mesmo tempo que prende sua atenção com unhas e dentes.

A história começa devagar, com ponto de vista dividido entre as duas irmãs e, quando você menos espera, você toma aquele soco no estômago. Ha!

É assim: enquanto estamos acompanhando Dara em sua tentativa de se reencontrar depois do acidente que simplesmente a deixou perdida de todas as formas possíveis — sem se reconhecer no espelho com tantas cicatrizes, sem seus amigos, sem poder sair e ser uma adolescente normal —, ficamos torcendo por Nick, sua irmã,  que está tentando se reaproximar dela mesmo se sentindo culpada pelo acidente que elas sofreram (era Nick quem estava no volante).

Só que, por mais que você ache que está entendendo a evolução do enredo, os últimos capítulos viram a narrativa de cabeça para baixo e revelam tudo o que passou despercebido por você. Daí você lê o livro de novo e percebe que estava tudo lá, na sua cara, e você não viu.

No Brasil, o livro já está em pré-venda na Saraiva, na Folha e no Extra. Para os apressados, a edição importada está disponível na Saraiva.

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