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A Noiva Fantasma, de Yangsze Choo

Este é um livro que eu queria muito ler! A Noiva Fantasma, de Yangsze Choo, é de 2013 e saiu no Brasil em 2015 pela Darkside Books. Repararam que as últimas resenhas são quase todas de livros lançados por essa editora?

Bom, primeiro vou falar do livro, depois explico minha relação de amor e ódio com a editora.

A Noiva Fantasma, de Yangsze Choo

A Noiva Fantasma é o livro de estréia de Yangsze Choo. Mal posso acreditar que logo no primeiro livro a autora me dá uma tacada dessa. O livro é ótimo!

Sinopse

Li Lan é um jovem vivendo na Malaca do final do século 19 e prestes a completar 18 anos. Nessa época, a melhor vida com a qual uma mulher poderia sonhar era se casar com um marido de boa família e ter filhos. Mas na condição atual de sua família, falida financeiramente, a melhor oferta que seu pai consegue para ela é se tornar uma noiva fantasma. Li Lan tem a chance de se tornar noiva de um rapaz muito rico, o único detalhe é que ele está morto.

A tradição das noivas fantasmas persiste (ainda que fracamente) na China e em suas províncias, mas não vou entrar no assunto para não me perder. O que quero ressaltar é que o livro apresenta e explica muita coisa de uma cultura à qual nós aqui no Ocidente temos pouquíssimo acesso. Só isso já torna o livro interessante, mas ele tem muito mais do que isso.

A Noiva Fantasma é narrado em primeira pessoa por Li Lan. Nós acompanhamos e descobrimos a história junto com ela, formato que torna cada reviravolta uma surpresa e deixa o leitor curioso sobre o que vai acontecer em seguida. A história se desenrola mais ou menos assim: a partir da proposta de se tornar uma noiva fantasma, Li Lan faz uma visita à casa da família de seu falecido possível-noivo e começa a ter sonhos assustadores. Sua grande jornada começa quando ela precisa entender o que tem causado esses sonhos e como acabar com eles.

Li Lan é o tipo de protagonista que a gente gosta e quer ver se dar bem. Ela é jovem e inocente, mas também perspicaz, inteligente e leal. Não é um capacho (como poderíamos esperar dado o período histórico do livro), nem uma pirralha mimada como vocês sabem quem. A voz de Li Lan é coerente com a de uma jovem vivendo em sua época, o que torna o livro muito autêntico e real. Você acredita em tudo o que acontece, até mesmo quando a fantasia toma conta do enredo.

Sim, é um livro de fantasia! Ou quase. Eu diria que A Noiva Fantasma é um romance histórico, jovem adulto, com uma generosa pitada de fantasia. Eu quase diria fantasia urbana, mas acho que esse conceito poderia dar a impressão de ser uma história “ocidentalizada”.

Apesar de ser um romance (e eu odiar romances), o livro não segue a linha melodramática tão comum do gênero. Há tantos elementos na história que ela não fica chata em nenhum momento. Os personagens secundários são ótimos também e acabam sendo mais importantes na trama do que se imaginaria logo de cara.

Adorei tudo nesse livro! Recomendadíssimo!!!

Apresentação Física

O trabalho gráfico da edição brasileira é impecável. Capa, contracapa e interior são tão lindos e bem acabados que eu ficava olhando para o livro, sem ler nem nada, só para admirar a beleza. Só perde mesmo para a capa da edição original que é praticamente um sonho de tão linda. É a primeira vez que a Darkside (ou melhor, a Retina 78, responsável pelo projeto gráfico) não consegue superar o original. Ah, e o livro é capa dura. Não é necessário, mas adoro!

Mas agora vamos falar da parte ruim. Quem acompanha o blog já percebeu que eu admiro muito a Darkside Books pela qualidade de seus lançamentos. Já comprei vários livros dessa editora, que ainda estão na fila para resenhar, mas Noiva Fantasma decepcionou. E decepcionou muito!

De todos os livros que já resenhei aqui, este é o que tem mais erros de gramática e de digitação. Superou até o God of War da Leya. Há frases em que simplesmente esqueceram de adicionar um verbo, outras em que a conjugação está errada (bye bye concordância) e outras ainda em que a tradução está… como vou dizer, truncada? Fora muitos outros erros semelhantes que nem vale a pena citar.

Esse tipo de problema não é perdoável em nenhuma editora, mas fica ainda mais feio vindo da Darkside que se diferencia justamente por sempre apresentar produtos impecáveis. O que aconteceu aqui, gente? Alguém me explica! Parece que fizeram rápido e de qualquer jeito e saiu essa porcaria de tradução que, infelizmente, prejudicou em parte a experiência de leitura. E veja bem, esse livro não foi barato! É uma edição capa dura e tal… Coitada da autora sendo tão mal representada por aqui.

Apesar da decepção geral com o trabalho nas coxas da Darkside (sério, como decaiu tanto a qualidade???), eu ainda recomendo o livro porque ele é bom. É muito bom!

Onde comprar

A edição porca em português você encontra no Submarino, Saraiva e Fnac, ou ainda o livro digital na Livraria Cultura. Para evitar transtornos com a tradução meia boca, a edição importada em inglês você encontra na Livraria Cultura tanto o livro em papel quanto a versão digital.

Livros para quem gosta de zumbis

Outubro chegou e The Walking Dead volta daqui a pouco. Yay! Por causa disso, fiz uma lista de livros com a temática mortos-vivos (Zumbi? Morto-vivo? Depois a gente discute isso.), além de TWD, claro!

Livros com zumbis

Morra por mim – Amy Plum; Orgulho, Preconceito e Zumbis – Seth Grahame-Smith; Sangue Quente – Isaac Marion; Zumbis vs. Unicórnios – Vários autores; Apocalipse Zumbi: Os Primeiros Anos – Alexandre Callari; O cemitério – Stephen King

Livros com zumbis

Northern Lights – Tom T. Rico; O vale dos mortos – Rodrigo de Oliveira; O Desfile da Extinção e outras Histórias de Zumbis – Max Brooks; Louras Zumbis – Brian James; Guerra Mundial Z – Max Brooks; Apocalipse Z: O Princípio do Fim – Manel Loureiro

Uhu, tem mais:

Zumbis: o Livro Dos Mortos – Jamie Russell
A Floresta de Mãos e Dentes – Carrie Ryan
Celular – Stephen King
Feed – Mira Grant
Day by Day: Armageddon – J. L. Bourne
The Rising – Brian Keene

Agora sim, acabou! XD

*PS: Os links geram comissão para o blog. 😉

AS CRÔNICAS DE NÁRNIA (RESENHA DE TODOS OS LIVROS)

Ok, esse post vai ser um pouco bastante pretensioso. Afinal, resenhar 7 livros de uma vez é demais para um mísero post. Mas, a meu ver, falar das Crônicas de Nárnia sem citar toda a história pode criar uma falsa ideia sobre quem são os protagonistas da história (falsa ideia da qual eu mesma fui vítima por ter assistido aos filmes antes de ler os livros).

As Crônicas de Nárnia - capa do volume único

Sem mais mimimi, a impressão geral que tive dos livros foi essa: leitura incrível! Simplesmente indispensável para quem gosta de ler, seja pela riqueza da fantasia criada pelo autor, seja pelas referências culturais, seja pelo desenvolvimento dos personagens ou por qualquer outro detalhe que uma obra complexa como essa possua.

Eu comprei o Volume Único num impulso. Outro impulso consumista pro meu currículo. O Submarino fez uma super promoção e eu não consegui segurar os dedinhos para não confirmar a compra. Ainda bem que foi uma ótima compra (esse Submarino ainda vai me levar à falência!!!).

ATUALIZAÇÃO: esse post é antigo e, agora, o preço mais convidativo é o da Saraiva (R$29,90). Compre aqui.

Mas vamos aos livros: o que são as Crônicas de Nárnia afinal?

É uma série de fantasia escrita por C. S. Lewis e publicada entre os anos de 1950 e 1956. O sete livros contam a história do mundo Nárnia, um lugar em que os bichos falam, as árvores também, a terra é fértil e tudo plantado nela floresce. Em quase todos os livros, um habitante da Terra (a maioria crianças) vai parar em Nárnia para desempenhar um papel importante nos eventos que estão tomando corpo naquele momento.

Existem duas formas de ler As Crônicas: a ordem de publicação e a ordem cronóliga dos livros.

Ordem de publicação:

O leão, a feiticeira e o guarda-roupa
Príncipe Caspian
A viagem do Peregrino da Alvorada
A cadeira de Prata
O cavalo e seu menino
O sobrinho do mágico
A Última batalha

Ordem cronológica:

O sobrinho do mágico
O leão, a feiticeira e o guarda-roupa
O cavalo e seu menino
Príncipe Caspian
A viagem do Peregrino da Alvorada
A cadeira de Prata
A Última batalha

Eu li na ordem cronológica que, segunda a edição que possuo, era a ordem preferida pelo autor. Quem assistiu ao filme lançado em 2005 provavelmente vai estranhar o primeiro livro, mas a sensação só dura nas primeiras páginas.

O sobrinho do mágico acompanha o garoto Digory e sua amiga Polly xeretando as atividades secretas do tio esquisitão de Digory e acabam viajando entre vários mundos até encontrarem um lugar completamente vazio e… bem, melhor não estragar a surpresa. Só vou dizer aqui que Digory é responsável por ligar os humanos à Nárnia para sempre.

À medida que a leitura avança, você começa a ligar os pontos e entender quem é quem. E sim, cada personagem deste livro é extremamente importante para a história toda. É neste livro também que algumas coisas são melhor esclarecidas. Por exemplo, como diabos um guarda-roupa pode ser mágico? Ao chegar à última página, você vai ficar com aquela sensação de “Ah, agora tudo faz sentido!”. Coisas que só um livro pode proporcionar!

O leão, a feiticeira e o guarda-roupa obviamente traz os personagens que conhecemos bem. Quatro crianças humanas — Pedro, Edmundo, Susana e Lúcia — vão parar em Nárnia depois de atravessar o guarda-roupa de um cômodo vazio. Como comentei lá no começo, por ter visto o filme antes, eu tinha uma visão distorcida sobre qual era o ponto principal da história, mas continue comigo que vou chegar lá.

O cavalo e seu menino trata da história de habitantes do mundo paralelo em que Nárnia se encontra (bem, não sei se expliquei direito, mas dessa vez não aparece ninguém vindo diretamente da Terra, ou algo assim). Alguns personagens do livro anterior aparecem aqui.

Príncipe Caspian, que também virou filme, segue a trajetória de Caspian (dã, claro né, Ali!) que vai ter a ajuda dos animais falantes e das quatro crianças humanas lá de O leão, a feiticeira e o guarda-roupa.

Caspian volta em A viagem do Peregrino da Alvorada para percorrer os mares de Nárnia até o fim do mundo. Neste, apenas Edmundo e Lúcia voltam para Nárnia, pois Pedro e Susana cresceram e já não podem ir para lá (mini spoiler). Mas o primo deles, Eustáquio, vai junto por livre e espontânea vontade pressão.

Em A cadeira de Prata, um príncipe de Nárnia desaparece e Eustáquio é chamado de volta para ajudar a encontrá-lo. Lúcia e Edmundo agora estão velhos demais para isso, mas Eustáquio tem a ajuda de sua amiga de escola Jill.

Em A Última batalha, Eustáquio e Jill retornam à Nárnia para ajudarem outro príncipe e, até o final, eles reencontram vários amigos.

Falando assim resumidamente sobre cada livro, fica parecendo que cada um deles tem um personagem central diferente e um não é relacionado ao outro. Mas a história central dos livros não é sobre as pessoas, mas sim sobre o mundo de Nárnia. Cada época tem um personagem diferente, mas a essência das Crônicas estão em um único personagem: o leão Aslam.

Como assim você não falou dele até agora?

Aslam é uma espécie de “autoridade maior” de Nárnia (ele é mais do que isso, mas se eu disser vou estragar a leitura de vocês). É ele quem guia os outros personagens, os aconselha, e até ralha com eles quando necessário. Esse papel fica indiscutivelmente claro ao final do último livro em que Aslam revela tudo o que ainda não foi explicado para os personagens (e para o leitor).

Devo confessar que o fim do livro me deixou bem chocada. É claro que ao longo de todos os livros — e considerando as influências culturais bastante óbvias — você passa a esperar o desfecho que a história toma, mas eu ainda fiquei com aquela esperança boba de que o autor vai surpreender no final. Não quero dizer que o final é frustrante, só achei (me faltam palavras agora) “forte” demais por se tratar de uma obra infantil. Bem, nem tão infantil assim se você prestar atenção.

Algumas coisas que não gostei

É, no geral eu adorei os livros. Há vários personagens fortes, há mensagens importantes e alegorias muito bem construídas. Mas há também alguns remendos mal explicados e, talvez, inaceitáveis.

É claro que euzinha aqui não sou ninguém para criticar uma obra da importância de Nárnia, mas certas escolhas do autor são discutíveis como, por exemplo, o papel imposto a várias personagens femininas (que não são permitidas fazer certas coisas e etc.) e o desfecho que foi dado para Susana (uma das personagens mais importantes) que me pareceu uma solução de última hora para garantir uma numerologia mais ou menos simbólica (lendo tudo você vai entender o que estou apontando aqui). O que acontece com os pais dos irmãos Pevensie também pareceu cair de paraquedas na história. Ou talvez seja só picuinha minha!

Apesar disso, As Crônicas de Nárnia estão longe de decepcionar. Pode ler sem medo!

Com preço decente (leia-se, abaixo de 20 reais) tem para vender no Submarino e na Saraiva (que também entrega no exterior!). Em outros sites que olhei, os preços vão de 50 reais para cima.

 O link para a compra do livro gera comissão para o blog, ok? 😉

GOD OF WAR, O LIVRO

E daí se escreveram um livro baseado em um game? Ele foi escrito por Matthew Stover e Robert E. Vardeman e conta em detalhes a jornada de Kratos. Saiu em 2010 e tem tradução para o português pela Leya.

God of War

Mesmo quem não conhece o jogo pode gostar desse livro. É claro que vocês devem atentar para o fato de que a minha opinião é viciada, já que amo mitologia grega e já passei horas e horas assistindo o sobrinho jogar (eu mesma não jogo muito porque sou péssima e ainda fico com dor de cabeça… #velha).

Bem, aquele resumão de costume:

Kratos é um guerreiro espartano que, durante uma batalha praticamente perdida, oferece-se a Ares (o deus da Guerra) para que leve seu povo à vitória. Tendo seu pedido atendido, Kratos passa a servir ao deus em tudo o que lhe é pedido e… bem, os deuses gregos não são tão legais assim. Kratos pira na batatinha e se vira contra os deuses em uma guerra de um homem só. Se eu contar mais do que isso, acaba com a graça.

Já tem sequência, escrita apenas por Vardeman, que saiu em 2013.

O que é legal

O livro narra os acontecimentos do primeiro jogo e oferece uma percepção mais aprofundada dos eventos que ocorrem durante a jornada de Kratos.

O que eu mais gostei foi como os deuses foram retratados na história. No jogo, eles aparecem eventualmente apenas para mudar os rumos seguidos por Kratos. No livro, com a possibilidade de novos pontos de vista, você vê todas as conversas e traquinagens dos deuses entre si. A propósito, eu achei a personalidade dos deuses em God of War muito parecidas com as de Homero (ui, fui longe!). É claro que Homero é referência forte (a maior? acho que sim!) de mitologia na cultura pop, ainda assim fiquei surpresa já que, no jogo, isso não é tão claro.

O livro também apresenta um Kratos mais humano, que sente frio, sede, fome, medo. Sim, Kratos sente medo. Momento de choque! As motivações dele ficam mais claras e o leitor vai acabar do lado de Kratos, mesmo ele sendo quem é e tendo cometidos tantos erros (que foram muitos!).

Além disso, muita coisa que não fica tão clara durante o jogo (ou detalhes nos quais a gente nem chega a pensar) é explicada. Aquelas coisas que os fãs gostam de descobrir e discutir, sabem?

Pontos fracos

Bem, para quem conhece o jogo, não há muitas surpresas. Você já sabe como vai acabar! Então a leitura vai ser interessante por causa dos detalhes e pontos de vistas diferentes que o jogo não oferece.

Quanto ao texto, a minha única reclamação é em relação à tradução da editora Leya (responsável por publicar o livro no Brasil). Há muitos erros, daqueles bobinhos que uma revisão atenciosa evitaria. Algumas frases me pareceram mal construídas também, e eu ficava imaginando qual seria a frase original que acabou sendo traduzida daquele jeito. :/ Chato, mas não compromete a leitura. De qualquer forma, fica o puxão de orelha aí. O livro não está tão baratinho assim para justificar o serviço mal feito.

Falando em preços, eu joguei na busca do Bondfaro e encontrei preços entre 20 e 32 reais.