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Resenha de “Fala sério, amiga!”

Entre todos os livros ruins que já li, essa coletânea de “crônicas” ganha disparado. Fala sério, amiga! conseguiu superar o meu ódio por The Summer Prince sem a menor dificuldade (e olha que Summer Prince é uma merda, hein).

Da autora Thalita Rebouças, segue o resumão capenga da “obra”:

Os mini contos seguem a sua personagem mais famosa, a Malu, por alguns anos de sua vida nada interessante. Tem um ou alguns capítulos para quase cada ano de vida de Malu, dos 3 anos até os 21. Basicamente, o livro se resume a algumas frases engraçadas aqui (a única coisa positiva do livro todo), algumas situações constrangedoras para crianças de 2 anos ali, uma forçação de barra para criar um climax meio morno acolá, e é isso. Sérião, que tédio a vida da Malu! E que tédio esse livro.

A escrita não é lá essas coisas, o que não surpreende considerando a faixa etária pouco definida. Às vezes, parece livro para pré-adolescente, outras vezes, para adolescentes. E ainda tem as vezes em que parece que escreveram para alguém com sérios problemas de personalidade. [Na verdade, isso é um problema que venho percebendo em obras desse tipo produzidas no mercado brasileiro: livro para adolescente com protagonista de 30 anos, tramas adequadas para crianças sendo vendidas para adolescentes, narração de estupros e outros temas seríssimos sem o menor cuidado ou inteligência e por aí vai… tem muita coisa esquisita acontecendo nesse meio aí. Mas voltemos ao livro resenhado.]

Como eu estava dizendo, a escrita não é muito elaborada, e o humor por vezes é forçado e nada engraçado, mas isso não é a pior coisa de Fala sério, amiga!. A pior coisa do livro é a sensação de que a autora aprendeu a contar histórias ontem e insiste em diversos erros e vícios como explicar demais; contar 50 anos do passado de cada situação antes de entrar na história que interessa; “falar” ao invés de “mostrar”; e sempre terminar cada conto com uma estrutura clichê do tipo e-viveram-felizes-para-sempre ou sua variação a-Malu-é-fofa-e-resolve-tudo-sempre. VTNC, Malu!

Parece um diário em que a gente escreve de qualquer jeito tudo o que aconteceu no dia, citando alguns diálogos, só para conseguir lembrar depois. Ou quando a gente conta sobre um evento do nosso dia para os amigos na mesa do bar. Ou aquele livro escrito às pressas para aproveitar o momento e tentar arrecadar uns trocados.

Nem a capa do livro salva. Uma edição tem um desenho tosquérrimo de uma boneca de idade indecifrável (assim como a faixa etária alvo do livro) com uma roupa anos 70 parecendo estar loucona no ácido. Outra capa é um laranjão no fundo, o título do livro e o nome da autora numa fonte simples na frente e acabou. Será que pensaram em melhorar a primeira capa e faltou dinheiro para pagar um designer?

Ah sim, e a personagem principal só conhece um adjetivo: fofa. Dos 3 aos 21 anos, é só isso que ela sabe usar para elogiar A SI MESMA. Todo mundo tem defeito, mas ela é fofa. Fofa. Fofa. Fofa. [Parece uma youtuber que conheço.] Sabe quando você não consegue gostar da protagonista? Então…

Ah, e sabe de mais uma coisa? Eu comecei (e desisti!) a ler um livro para a mesma faixa etária por outra autora brasileira (mais jovem e cujo nome nem vou citar para não comprar briga com dois fandoms ao mesmo tempo) e adivinhem! O estilo de tal “autora”, se é que podemos chamar esse clichêzão literário de estilo, é uma cópia descarada da Thalita Rebouças. Igualzinho! O jeito de começar e terminar cada capítulo, a (falta de) profundidade nos temas, a (paupérrima) caracterização das personagens, o festival de estereótipos de adolescentes (sabe quando adulto acha que adolescente é burro? então…), está tudo lá. Preocupante! Olha o nível de leitura dos autores brasileiros que estão conseguindo colocar livro no mercado. Lê e copia na cara dura, e nem pra me copiar algo que preste. Hebe, me leva!!!

Depois de ler esse desperdício de papel, eu fiquei me perguntando se valeu a pena. Será que vendeu o suficiente pra pagar o salário de todo mundo envolvido? Espero que sim! Mas mesmo que tenha, me entristece saber que esse é o nível de produção literária de uma das maiores best-sellers do público infanto-juvenil no nosso país.

Fala sério, que porcaria de livro!

Pega um livro bosta desse e compara com algum da Lauren Oliver ou do John Green para a mesma faixa etária e é outro 7 x 1 pra ficar pra história.

Fala sério, Rocco!

NÃO RECOMENDO desperdiçar seu dinheiro nesse livro. Mas se você tiver curiosidade científica, gostar de sofrer, ou curtir dar risada da incompetência alheia, vai com tudo nos links a seguir. Do mais barato ao mais caro: no Submarino, na Livraria Cultura, na Fnac e na Saraiva.

Se o livro fosse bom, o blog receberia comissão por cada venda feita a partir dos links. Mas não vai vender nenhuma cópia por aqui: é ruim e já foi lançado faz uns anos. Ufa!