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Trilogia Fundação, Isaac Asimov

Se não me engano, até hoje eu ainda não tinha resenhado nada de ficção científica mas tamo aqui pra isso né non? Nada melhor do que começar com um dos clássicos.

A trilogia Fundação iniciam a saga que possui 7 livros. Confuso? Provavelmente. O negócio é o seguinte: Isaac Asimov publicou em uma revista, a Astounding Magazine, um total de oito contos entre 1942 até 1950. Esses contos eram situados no mesmo universo e suas histórias eram interligadas.

Em 1951, a Gnome Press juntou os quatro primeiros com mais um novo conto e publicou tudo como um romance: Fundação. Os quatro contos originais restantes foram divididos em dois outros romances e publicados em 1952 e 1953 respectivamente: Fundação e Império; Segunda Fundação.

E foi assim que  se formou a trilogia básica da saga:

Livro 1- Fundação
Livro 2- Fundação e Império
Livro 3- Segunda Fundação

Fundação, de Isaac Asimov

Nos anos 80, Asimov voltou a se dedicar a expandi-la e escreveu mais quatro livros: duas sequências e dois antecedentes (suei para traduzir prequels hahaha). Mas a resenha é sobre a trilogia básica, então vamos lá:

Sinopse capenga da tradição boulevarística:

Há mais de dez mil anos a humanidade vive em prosperidade devido ao sucesso do império galático. Mas Hari Seldon, o cientista criador da psicohistória, prevê que o futuro da raça humana é uma era de trevas impossível de ser evitada. O melhor que ele pode fazer é bolar um plano para enfrentar a grande crise que se aproxima e dar a chance à humanidade de se reerguer o mais rápido possível.

Como vocês podem perceber, a história de Fundação é bem abrangente e não possui um ou alguns protagonistas. Seldon é a força que coloca a história em movimento, mas fica por aí e pronto. Esse é o tipo de livro que se desenrola focado no enredo e não em como os personagens agem. O que eu quero dizer é: a realidade do mundo retratado em Fundação é quem leva os personagens a reagirem, e não os personagens que agem para mudar a realidade ao seu redor.

Ultimamente, eu tenho visto poucos livros assim então achei bom ressaltar para preparar os novos leitores.

Outra questão é que a trilogia é, como disse ali em cima, um conjunto de contos. Ou seja, cada um deles tem seus próprios personagens e enredo. Contudo, todos estes contos são relacionados com o enredo maior que é o plano de Seldon para salvar a humanidade.

O que me desagradou um pouco é que o livro a ação não é narrada de forma ao leitor acompanhar tudo “de dentro”. As mudanças, pontos de virada e acontecimentos geralmente vêm em forma de diálogo e explicações. Mas isso não significa que o livro seja entediante. Ele só possui mais passagens nesse formato que a literatura atual costuma ter. Nada mais natural, afinal a trilogia foi escrita nos anos 40. Tinha mais é que ser diferente mesmo!

No geral, eu gostei muito de Fundação. A construção do mundo, digo, da galáxia que é pano de fundo para os acontecimentos é tão bem feita que você entende porque essa é uma das obras mais importantes do gênero. O desenvolvimento das questões sociais e políticas, os dilemas enfrentados pelos personagens e etc. São muitos elementos e se eu continuar escrevendo vou soltar spoiler. Só quero adicionar uma coisa: mesmo numa história tão complexa, Asimov ainda consegue surpreender e introduzir elementos que fogem às regras do seu universo e ainda assim fazer tudo ter sentido.

Além do mais, Isaac Asimov era nerd até os ossos e fez uma pesquisa extensa para fundamentar sua obra.

Sobre a narrativa

Fundação não é do tipo de livro feito para impressionar pela beleza da escrita, rebuscamento ou nada disso. Os cenários são parcamente descritos, personagens pouco desenvolvidos (com exceções) e a narrativa é simples e direta ao ponto. Muito diferente de livros como a saga O Senhor dos Anéis.

Falando nisso, Fundação ganhou o prêmio Hugo (o mais importante do gênero) de melhor obra de Fantasia e Ficção Científica, deixando tanto Tolkien quanto Edgar Rice Burroughs (série Barsoom). Vou implantar a treta e dizer que discordo totalmente: Senhro dos Anéis está quilômetros a frente de Fundação em todos os aspectos possíveis. Pronto. Saí correndo.

Apresentação Física

Eu comprei o box da trilogia da Editora Aleph na Livraria Cultura. A encadernação é simples, com uma ilustração meio retrô na capa (achei simples, chic e coerente!).

A tradução é muito bem feita. Até o que achei que poderia ser algum erro, é demonstrado na frente que era uma adaptação proposital da obra original que tinha o propósito de realmente dar essa impressão. O que já vi tradutor fazendo foi ignorar esse recurso, fazer uma tradução meia boca e inserir uma nota de rodapé explicando o jogo de palavras ou seja lá o que for que dificultou a tradução. O tradutor de Fundação, não tomou o caminho fácil e se virou para fazer esse detalhe funcionar em português. Arrasou!

Nota: agora me falha a memória mas acho que essa passagem específica foi traduzida pela Fábio Fernandes; se não foi ele, foi o Marcelo Barbão. Desculpa, gente! De qualquer forma, os dois tradutores fizeram um ótimo trabalho.

Onde comprar

O box que comprei está em falta, mas é possível comprar os livros separados. Mas atenção: alguns livros estão disponíveis apenas na versão digital.

Fundação: Livraria Cultura (livro digital); Saraiva (livro digital)
Fundação e Império: Livraria Cultura; Submarino ; Saraiva
Segunda Fundação: Submarino ; Saraiva

Lembrete da amizade: os links informados geram comissão para o blog sem custo adicional para você.

DRACULA COMO ÍCONE DA LITERATURA VAMPIRESCA

Depois de publicar a resenha, está na hora de falar sobre algumas curiosidades que envolvem o livro de Bram Stoker. Acredite, elas são muitas e eu não vou falar nem de metade.

É claro que eu não fiz aqui um estudo histórico aprofundado! Meu único objetivo foi apontar alguns fatos interessantes e esclarecer a diferença entre ficção e realidade que não parece muito clara quando o assunto é Dracula.

Um aviso: este texto possui alguns spoilers. Se você nunca leu Dracula, sugiro conferir apenas a resenha. Se está tudo bem para você saber de alguns detalhes antes de ler a obra, continua aí que vai começar:

∗ Dracula de Bram Stoker não foi o primeiro livro sobre vampiros

Mas é o fundamental, digamos assim. Foi adaptado e imitado à exaustão. Influenciou e continua influenciando mesmo depois de mais de cem anos desde sua publicação.

∗ As lendas e mitos sobre criaturas sobrenaturais sugadoras de sangue e/ou energia vital estão presentes em diversas culturas

A literatura, por sua vez, sempre fez uso de lendas para contar suas histórias e com os vampiros não seria diferente. O que  se tornou diferente foi o fato de o personagem Dracula ficar TÃO famoso a ponto de obscurecer as fontes que inspiraram Bram Stoker para criá-lo.

∗ Confusão entre fatos históricos, personagens fictícios da obra e derivações da cultura pop

Já vi afirmarem que o Conde Dracula realmente existiu e que ele era um homem sanguinário, por isso começaram a achar que ele era um vampiro. Não é bem isso! Quem existiu mesmo foi Vlad III, príncipe da Valáquia no século XV. O nome “Dracula” é um patronímico de Vlad III.

Olha o carão do Vlad III aí
Olha o carão do Vlad III aí

Veja bem: patronímico é um nome ou apelido de família (sobrenome) cuja origem encontra-se no nome do pai ou de um ascendente masculino. O pai de Vlad III (o Vlad II da Valáquia) adotou o nome “Dracul” depois de ser investido na Ordem do Dragão em 1431. Na língua romena, a palavra Dracul significa “o dragão”. Adicionando a partícula “a”, Dracula significa “o filho do dragão”.

Foi durante as pesquisas para seu livro que Stoker encontrou o nome Dracula. Aí sabe como é, né? O autor gosta de uma palavra, fica intrigado, vai ler mais sobre o assunto, descobre quem era o dono do nome, uma coisa leva à outra e POF! Vlad III acabou sendo uma inspiração para o personagem principal de seu livro e existem várias referências à ele na obra.

Será que deu pra entender o que tentei dizer?

Este é um recurso bastante usado por escritores: misturar personagens reais aos fictícios para dar mais veracidade para sua obra, para aumentar o conflito na trama, incentivar a curiosidade geral e impulsionar o sucesso da obra. Além das referências e descrições de lugares reais, Bram Stoker escolheu insinuar que seu personagem, enquanto ainda era humano, havia sido um príncipe da Valáquia. Entre essa insinuação até considerar que o “vampiro Dracula” realmente existiu há uma distância enorme!

Tem mais:

∗ As características e história de Dracula versus arquétipos de vampiro e de caçador de vampiro

Stoker enumera várias características desse poderoso vampiro por meio de outro personagem também muito conhecido na cultura pop: Van Hesing. Sim, o Dr. Abraham Van Helsing aparece na segunda parte da trama  para ajudar a desvendar o que se passa e salvar inocentes.

Ou seja, talvez você tenha visto um filme com o Van Helsing bancando o super herói e nem sabia que ele era um professor idoso, genial e cheio de caprichos que um dia derrotou Dracula. É… Van Helsing é criação do Stoker também.

Nas centenas de adaptações para teatro, cinema e tv, o personagem Drácula foi transformado, adaptado, distorcido e plagiado sem dó nem piedade. Mas foi na obra de Bram Stoker que ele nasceu e é nela que você vai encontrar as reais intenções, poderes e  fraquezas do personagem que ficou tão importante que passou a ser confundido com o próprio arquétipo de vampiro.

Sabe quando, em True Blood, os vampiros não conseguem entrar numa casa porque não foram convidados? Tem isso em Drácula. E vampiros saindo sob a luz do dia? Não pode? Pode sim. Tem isso em Drácula também.

Não estou afirmando que foi Bram Stoker que criou essa limitação. Pode ser que ela esteja presente em algumas das infinitas lendas existentes ao redor do mundo. O que me arrisco a afirmar é que foi Stoker quem levou isso para o mainstream.

Mas por que será que Dracula e Van Helsing cresceram tanto a ponto de saírem de sua própria origem e irem povoar a cultura pop como personagens independentes? Pode ser por causa da qualidade da obra, por causa do appeal desses personagens, ou por causa da falta de criatividade da indústria criativa (#sarcasmodetected). Sei lá! Só sei que é assim.

Dracula: de onde ele veio afinal? (resenha do livro)

Sendo o segundo personagem mais adaptado para o cinema, teatro e televisão (perde apenas para Sherlock Holmes), era de se esperar que, 117 anos depois, as origens de Drácula se tornassem um pouco confusas. Confusas a ponto de algumas pessoas acharem que Drácula é uma figura mitológica e não um personagem de um livro. Pois é… ele não faz parte de nenhum conto folclórico, quero dizer, não exatamente.

Mas não vou falar disso agora, deixa eu tentar explicar. Eu ia escrever apenas um post sobre o assunto, mas tem tanta coisa para falar sobre Drácula que achei melhor dividir. Num futuro post vou falar a obra e o personagem no contexto da literatura vampiresca e cultura pop. Neste aqui vai ter só a resenha do livro.

Dracula - Bram Stoker

Escrito por Bram Stoker, Drácula foi originalmente publicado em 1897 e, apesar de não ter sido um sucesso imediato, se tornou a obra ícone de toda a literatura vampiresca do mundo.

Sobre o que é:

o Conde Drácula convida um jovem advogado, Jonathan Harker, para visitá-lo em seu castelo na Transilvânia e preparar a mediação da compra de algumas propriedades na Inglaterra. O Conde se demonstra um homem polido e culto, muito interessado na cultura inglesa. Coisas estranhas começam a acontecer e Jonathan resolve que precisa fugir, mas o Conde exige que ele fique mais tempo.

Bem, esse é o que considero a primeira parte da história. Ela possui uma reviravolta importante, apresenta novos protagonistas e continua tensa e assustadora até o fim. Pode confiar!

É claro que todo mundo já viu, ouviu ou leu alguma coisa, por menor que seja, sobre o personagem Conde Drácula. Ou viu outras obras com vampiros e já conhece algumas tradições e lendas a respeito. Mesmo assim, vou me limitar a dar apenas essa introdução sobre o livro em si e não estragar totalmente a surpresa.

Uma nota interessante sobre a edição que tenho: ela inclui um capítulo extra chamado “O Convidado de Drácula”, que nada mais é que o Capítulo 1 do manuscrito original que o autor havia excluído, mas que foi adicionado nas edições recentes para a felicidade dos fãs.

Este romance é um pouco diferente dos que eu tenho lido ultimamente. Motivo: a trama é toda contada por meio de cartas, diários pessoais, telegramas, diários de bordo e citações de jornais. Isso deixa a sensação de que a história é real e que estamos lendo os relatos das pessoas que a testemunharam. Você só fica sabendo do que cada personagem consegue descobrir e entender por si mesmo. Não tem um narrador explicando o que realmente está acontecendo. E como é uma história de terror… é medão na certa!

Tem hora em que você sabe que tem coisa errada acontecendo, mas o personagem não entendeu ainda e você fica naquela vibe “Olha ela, olha ela, olha ela!” (Del Ocho, El Chavo. XD).

Outra coisa legal: como esse livro já foi adaptado tantas vezes (e também modificado, desfigurado, copiado e transplantado), ler a matéria-prima que inspirou tantos trabalhos é uma experiência única. À medida que você lê, vai redescobrindo passagens, lendas e personagens que você já conhecia por outros meios.

Razões para amar:

♥ Se você ama vampiros, tem obrigação de ler Drácula.
♥ Se você odeia vampiros, te desafio a odiar esse livro também! #Duvido
♥ É um clássico da literatura mundial com centenas de adaptações para o cinema, o teatro e a televisão. Vou apenas citar alguns atores que já o interpretaram para dar uma ideia: Bela Lugosi, John Carradine, Christopher Lee, Gary Oldman, Gerard Butler e Luke Evans (no filme previsto para este ano, que parece que vai ser sofrível por combinar a obra original com adaptações anteriores e piorar a confusão que paira sobre o personagem, mas que vou assistir mesmo assim e possivelmente pagar língua). 
♥ É o tipo de livro para ler e automaticamente começar a odiar todas as adaptações. Seus amigos vão te achar super intelectual! hahaha
♥ Deveria ser obrigatório nas escolas!
♥ Drácula versus Van Helsing = luta do milênio (ou melhor, doS milênioS porque o livro é velho assim)
♥ Mistério: Eu fui dormir tarde várias vezes por causa da curiosidade que consumia meu ser e não me deixava parar!
♥ Suspense: Vários momentos de “Mas que diabos vai acontecer?” e “Oh meu Deus, e agora?” garantidos.
♥ Há muitas descrições de lugares reais que vão te deixar com vontade de viajar. Passo Borgo, aí vou eu! Whitby, tô indo também!
♥ Já está em domínio público e você pode baixar legalmente e gratuitamente aqui ou aqui , e o capítulo extra aqui (obs: em inglês).

Para quem não lê inglês, tem tradução para o português, claro!

Do menor ao maior preço: Submarino (R$16,90); Fnac (R$25,90 – edição bilíngue igual à minha); Saraiva (R$30,00); Submarino (R$30,90 – edição bilíngue igual à minha); Saraiva (R$37,00 – edição bilíngue igual à minha);
Dica esperta: o valor do frete pode fazer a diferença no preço final. Não compre o mais barato logo de cara sem conferir todos.

Bônus #BookPorn: Esta edição na Saraiva tem encadernação de luxo. Socorro!

Lembrando que os links geram comissão e quem quiser procurar onde comprar por conta própria, joga no Google “dracula bram stoker”. Só toma cuidado para não comprar uma adaptação ou “versão moderna” por engano! Muitas das milhares de edições existentes não fazem questão de deixar claro que não se tratam da obra original.

SENHOR DAS MOSCAS (RESENHA)

Senhor das Moscas é um livro representativo de uma época que continuou fazendo sentido décadas depois. Em outras palavras, é um clássico bom bagaray que você tem que ler A-G-O-R-A.

Senhor das moscas - William Golding

O livro é do ganhador do prêmio Nobel de Literatura de 1983 William Golding. Publicado em 1954, não foi um sucesso absoluto de vendas, mas arrebatou o título muito mais invejável de Clássico ao longo dos anos.

Sobre  o que é:

Um grupo de garotos, sendo levados para longe da guerra, vai parar numa ilha depois da queda do avião. O piloto, e quaisquer outros adultos que poderiam estar presentes, morreram e eles têm de aprender a se virar e sobreviver sozinhos. Mas como gente já é gente mesmo sendo bem novinha, a probabilidade de alguma coisa dar errado é altíssima.

A idade exata dos garotos não é mencionada (há algumas indicações, mas só isso), mas pela narrativa você percebe que ninguém ali tem a menor ideia do que é ser “grande”. Aliás, esse é um detalhe importante na obra: alguns garotos são muito mais novos e são tratados como os “pequenos”. Os protagonistas são os “grandes”, mas não passam de garotos também. Imagina aí o que é um bando de pré-adolescentes sobrevivendo na selva. Sentiu o drama?

Por que é legal:

♥ Poxa, um clássico pós-guerra desse e você não tem interesse em ler?
♥ As interpretações sobre os significados da obra são numerosas, indo do mito do bom selvagem, passando pelo embate entre civilização e barbárie, chegando até a uma alegoria da luta entre o bem e o mal com participação especial de Jesus e do Belzebu em pessoa (Eu vou ser apedrejada por causa desse comentário sim ou com certeza?). Aliás, o título “senhor das moscas” é uma das traduções para o nome Belzebu.
♥ O livro influencia direta e indiretamente várias obras da atualidade. Pense em Lost, a música do Iron Maiden, o clipe do Nine Inch Nails, o sobrevivencialismo em The Walking Dead… mesmo que um criador (escritor, compositor, etc.) afirme nunca ter lido Senhor das Moscas, muito provavelmente ele leu ou viu algo que foi influenciado por ele.
♥ É um livro para qualquer idade. Ou melhor, não é um livro com uma faixa etária determinada. Tanto jovens quanto adultos podem gostar porque a história consegue falar de “assuntos sérios” sob a perspectiva ingênua e infantil.
♥ O livro é bom e pronto e acabou!

Voltando ao enredo:

Ralph e Porquinho são os primeiros a aparecer. A narrativa não é nada pretensiosa, você começa lendo com aquela sensação “hum, ok, eles estão numa ilha” e aos poucos você vai percebendo “epa, aconteceu uma tragédia” e logo depois “putz, agora que a coisa ficou feia”.

Porquinho encontra uma concha na praia e sugere a Ralph que a sopre para tentar atrair outros sobreviventes. E dá certo! Aos poucos os garotos vão aparecendo, saindo da floresta ou vindo de longe pela areia, dentre eles outros protagonistas como Jack e Simon. Os garotos acabam tendo uma reunião para decidir o que fazer. Afinal, eles estão numa ilha desabitada, e agora?

O grupo logo escolhe Ralph para ser o líder. Ele decide explorar a área para ter certeza de que se trata de uma ilha deserta (vai que tem um resort do outro lado!) e logo determina que devem fazer uma fogueira e gerar bastante fumaça para sinalizar e atrair quaisquer navios que estejam passando por perto para que venham resgatá-los. No começo todo mundo obedece mas, com o tempo, fazer a fogueira não é mais tão divertido e até o próprio Ralph se esquece da importância dela.

Cada detalhezinho do livro é cheio de significado e isso exige atenção do leitor que desejar uma experiência plena com a leitura. Como falei ali acima, as interpretações possíveis são muitas. Alguns dos pontos de que mais gostei e que representam isso são: a inteligência de Porquinho e sua relação de mútua dependência com Ralph, a sensibilidade e inteligência emocional de Simon, a força de vontade de Jack, a lealdade cega de Roger e a pureza de Sam e Eric.

Vou parando por aí pois… estou fazendo um esforço enorme para não soltar spoilers! Como é uma obra antiga, quase toda resenha ou artigo sobre ela conta tudo e mais um pouco. Como meu objetivo aqui no blog não é fazer uma análise profunda e sim apresentar livros que gosto, vou ficar só na superfície mesmo e respeitar a sensação de surpresa de quem ainda não leu.

Adaptações ao cinema:

Foram várias e aposto que ainda tem gente querendo fazer mais. As duas mais famosas são a primeira versão de 1963 e a de 1990. Além delas, há um filme Filipino chamado Alkitrang dugo (que conta com garotas dividindo os papéis principais com os garotos) e episódios de séries, curtas e por aí vai.

Onde comprar:

O Submarino tem a edição importada e a Saraiva tem a edição em português (a mesma que eu comprei). Qualquer compra gerada por estes links geram comissão para o blog. Se você não quiser aumentar minha conta bancária, copia e cola o título e nome do autor e joga no Google.

>> senhor das moscas william golding <<

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