O JUSTICEIRO NOS CINEMAS

O caso é o seguinte. Essa semana, assisti ao último filme do Justiceiro que eu ainda não conhecia e ainda assisti de novo as outras duas adaptações para cinema que existem. Para quem não conhece o vigilante mais sangrento da Marvel, vai um resumão tosquérrimo aí:

Um pai de família fazendo piquenique com a esposa e os dois filhos no Central Park. Do nada, começa um tiroteio entre gangues e a família acaba testemunhando um assassinato. Para não arriscar ir parar na cadeia, o assassino resolve atirar na direção deles e eliminar quaisquer testemunhas que pudessem identificá-lo. MAS, o pai sobreviveu ao ataque, buscou justiça e, vendo que a corrupção da autoridade responsável era tão grande que deixou o assassino de sua família livre, decidiu resolver as coisas do seu jeito. Aquele criminoso mal sabia que o pai da família era Frank Castle, fuzileiro naval especializado em técnicas de combate. Traumatizado com a perda da família e com sede de vingança, ele se torna o Justiceiro.

Ok, essa é a premissa de O Justiceiro (Punisher) nos quadrinhos. Consequentemente, deveria ser a premissa dos filmes. Só que, quando um quadrinho é adaptado ao cinema, sempre são necessárias adaptações e, perdão pelo uso das palavras, não fizeram justiça ao Justiceiro!

Já foram feitos 3 filmes sobre ele, nenhum relacionado ao outro, apesar de existir uma discussão sobre a ligação entre os dois últimos.

O primeiro filme, O Justiceiro de 1989, teve Dolph Lundgren no papel de Frank Castle. Você deve conhecer o Lundgren de algum filme de ação, especialmente como antagonista do Sylvester Stallone em Rocky IV (ele é o boxeador loirão soviético dumal). Lundgren ficou famoso pelo seu personagem em Rocky e logo depois interpretou He-man, solidificando sua imagem estereotipada de herói de ação ainda antes de entrar em Punisher.

Dolph Lundgren

Na minha opinião, isso seria o suficiente para não colocá-lo no papel de Justiceiro. Explico: Frank Castle é um anti-herói, ele não é o cara bonzinho que vai ajudar a polícia a prender os caras malvados. Ele vai lá e mata todo mundo. Ponto final. Eu posso estar exagerando, mas não achei uma escolha acertada. Além do mais, o roteiro desse filme foi fraco e se distanciou um pouco demais da premissa do Justiceiro. No filme, o cara é ex-policial (meh), a família morreu numa explosão não muito bem explicada (meh 2), ele é uma espécie de ninja-praticante-de-ioga-e-meditação que está caçando a máfia japonesa (meh duplo twist carpado) e não usa a marca registrada da caveira no peito (pôha, tá de brincadeira? – as imagens dele com a caveira estampada no peito são photoshop!).

Quinze anos depois, com o sucesso de várias franquias de super heróis bombando, alguém lembrou que o Justiceiro estava na gaveta e resolveu dar outra chance. Saiu em 2004 O Justiceiro (assim com o mesmo nome, recomeçando tudo do zero) com Thomas Jane no papel principal (ele também está em O apanhador de sonhos, O Nevoeiro e Magnólia). Nesse filme, Frank Castle é um agente do FBI comemorando sua aposentadoria (oi?) numa festa na praia (hein?) e chega alguém para acabar com a festa e mata todo mundo por vingança, deixando Frank todo arrebentado e à beira da morte. Ele havia frustrado uma ação ilegal que acabou na morte do filho de um chefão da máfia.

Thomas Jane

Minha opinião: não curti Frank Castle nessa vibe James Bond não. Muito praiano, muito ensolarado, muito galã. E o filme ainda tem John Travolta como antagonista (o cara mau que acaba com a família do Justiceiro), mas ainda assim não colou (o personagem dele ficou glamouroso demais, perigoso de menos).

Um fato interessante sobre Jane: ele gosta tanto do personagem que fez um curta independente chamado Dirty Laundry que você pode ver aqui (legendado por fãs ainda!).

O roteiro é sem dúvida superior ao anterior, bem elaborado, com começo, meio e fim. Tanto quem lê os quadrinhos quanto quem nuca ouviu falar vai entender e (talvez) curtir. Mais um ponto: Frank carrega a caveira no peito (aí sim!!!!), detalhe muito importante no filme cujo motivo não vou contar para não dar spoiler. Ainda assim, acho que ficou faltando algo. Como eu poderia explicar? Ahn… faltou… faltou… violência.

O Justiceiro acha que está tudo bem usar tortura, assassinato e táticas de guerra para acabar com o crime organizado numa grande cidade. Se morrer algum inocente… ops, foi mal. A verdade é que o cara não tá lá pra brincadeira!

Por isso, eu gosto mais do filme mais recente, de 2008: O Justiceiro: Em Zona de Guerra.

O filme começa numa bela mansão em que os chefões da máfia estão tendo um jantar RYCO e elegante. Um psicólogo que trabalha com a polícia, obcecado pelo Justiceiro, está do lado de fora esperando que ele apareça (Hello, os caras maus estão reunidos. Prato cheio para Frank!). E sim, Frank aparece. Quebrando tudo e mais pouco. A primeira cena já dá o tom do filme inteiro.

Ray Stevenson

Quem ficou com o papel de Frank Castle dessa vez foi Ray Stevenson (o guerreiro barbudão e barrigudo Volstagg de Thor). Stevenson ficou famoso na série Roma, interpretando o centurião Titus Pullo e também apareceu na última temporada de Dexter (um dos assassinos, claro).

De longe é meu filme favorito. Não é a melhor adaptação possível de um personagem tão complexo, mas é a mais legítima e respeitosa feita até hoje (minha opinião ok, fãs de Thomas Jane? hehe). E ainda tem Micro, o hacker e contrabandista de armas ajudante de Castle. Nesse filme, você acredita que o Justiceiro é capaz de fazer aquilo, que ele é um ex-fuzileiro, que ele é uma máquina de matar numa guerra de um homem só. Você reconhece o cara dos quadrinhos na tela.

O filme também já começa pegando fogo, não dá tempo de respirar. A cena final (mesmo com alguns exageros para um cara que não tem super poderes) é digna de um Matrix da vida. Além disso, alguns flashbacks ajudam a entender quem é Frank, o que é bom para quem não conhece nada da história. A trilha sonora também acompanha o ritmo: tem de Slipknot a Rob Zombie. O ponto fraco são os vilões, ou melhor, um deles. E a maquiagem de outro deixou a desejar (apesar de atender ao propósito de deixá-lo assustador e nojento).

Apesar de preferir o último filme, eu sei que ainda está longe uma decisão sobre qual deles é melhor, especialmente entre os feitos em 2004 e 2008 (com mais recursos e efeitos especiais aceitáveis). A verdade é que a Marvel ainda não conseguiu o filme definitivo para o Justiceiro. Ou fazem um Justiceiro fru-fru ou um fortão caricatural. Ainda não acertaram o alvo, só passaram raspando.

Eu li alguns artigos sobre um suposto novo filme em 2014 (continuação do Em Zona de Guerra ou outro reboot?) e uma série de tv pela ABC (será?), mas com o processo agarrado na produção. Até onde sei não há nada certo. O que é certo é a dúvida: quem vai interpretar Frank Castle? Thomas Jane ou Ray Stevenson? Ou outro ator? O Lundgren tá velho demais, não dá mais pra ele!

Eu não encontrei o filme de 1989 à venda. :/ Mas os de 2004 e 2008 estão aí abaixo:
O Justiceiro (2004) – No Submarino; Na Saraiva (ambos são Blu-Ray!).
O Justiceiro: Em Zona de Guerra (2008) – No Submarino (DVD); Na Saraiva tem DVD e Blu-Ray.

BÔNUS

Dentre os que já interpretaram, você pode discordar de mim e preferir o Jane, mas eu pergunto: quem tem mais a ver? O Justiceiro boy-disney-modelo-posando-de-ladinho ou o Justiceiro sangue-no-zóio-contando-minutos-para-matar?

Thomas Jane X Ray Stevenson

#InfluenciandoComEstilo

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28 opiniões sobre “O JUSTICEIRO NOS CINEMAS”

  1. Ray Stevenson até entra bem no papel, mas o filme é muito ruim: atores despreparados (dublês promovidos) e efeitos especiais deprimentes. Thomas Jane também foi bem, a produção era maior e atores melhores, mas o roteiro falho pecou, ‘forçado’ em alguns momentos. Entendo que a idade de Lundgren o exclui, mas não o subestime: apesar das limitações da época é um ótimo filme, além de contar com Louis Gossett Jr. (ator disputadíssimo na época). O filme foi abafado por ótimos lançamentos em 1989 como Batman, Chuva Negra, Máquina Mortífera 2, Pecados De Guerra, Tango & Cash (só de ação). Não rendendo, produtores não bancariam uma sequência.

    1. Olá! Obrigada pelo comentário. Bom demais ler a opinião de outra pessoa e ainda compartilhando mais informações… nossa! Obrigada mesmo!!!
      É verdade, em 1989 não havia tantos recursos disponíveis para os efeitos e o filme ainda foi feito com um orçamento apertado. E tem também a questão de estilo né? Na época os filmes eram feitos de jeito diferente mesmo, diálogos diferentes e tudo mais. Como um todo, eu achei o filme bom sim, mas sendo uma adaptação, baixou a fã chata aqui e o filme acabou me desagradando nos pontos que citei ali em cima. 🙂
      Além disso, apesar de gostar do Lundgren, eu ainda acho que ele não era o cara certo pro papel: além do estereótipo de herói que ele construiu (tão forte que está aí firme forte até hoje em Os Mercenários 1 e 2) tem também a questão da atuação. Às vezes não dá pra colocar um cara, por mais talentoso que seja, num determinado papel.
      Sobre o War Zone, concordo: tem ator ali que parece dublê promovido (adorei isso! hahaha). A atuação “física” é legal, mas a interpretação nem tanto. O casting de 2004 foi realmente melhor. E os efeitos (bem, não todos) deixaram a desejar considerando ser um filme tão recente.
      PS: Louis Gossett Jr. realmente… o personagem dele cria um drama interessante com o Castle!

  2. Discordo em um único ponto, o Lundgren de longe é o que possui maior perfil do justiceiro, justamente pelos personagens do mal que ele fez no cinema.

  3. na boa
    acho que todos os filmes do justiceiro não passaram nem raspando no que queria ver
    claro, da pra colocar na coleção e dizer que é entretenimento, a gente gosta de material ruim pra criticar e pedir melhorias. mas o clima do justiceiro e do ambiente está longe. visualmente o dolph lundgren lembra muito os desenhos do justiceiro doas anos 90. o jane já parece um cosplay virgem cheio de espinhas. o último achei que é o melhor, mas o que estraga a frieza dele é a preocupação com a pose. também não acho que ele fica visualmente bem de justiceiro. estão errando na caveira. é um uniforme e não uma camisa que qualquer um pode obter na esquina. tá faltando clima de tensão psicológica. boas frases e não aquelas coisas manjadas da época. o mundo dos filmes baseados em quadrinhos precisa melhorar muito. escolher atores consagrados pra fazer super heróis já acho um erro.mas como os homens da grana não pensam muito no que os fãs gostam. é sentar e esperar que alguns milagres aconteçam no cinema.

    1. Concordo. Ainda não fizeram “O” filme para o Justiceiro. Também gosto da frieza do de 2008, mas tem alguma coisa que não me agrada e acho que é isso que vc falou mesmo: pose.
      A questão da caveira, eu gosto dela no último filme pq ficou parecendo uma coisa feita a mão, com spray, por cima da armadura. Não uma estampada de silk numa camiseta comum. Achei doido!
      Brigadão pelo comentário!!
      PS: “tensão psicológica”. É isso, cara! Tá faltando mesmo.

  4. Excelente post! Já disse tudo o que eu também penso. Porém, vale lembrar que o curta do Jane é muito bom. Se o filme que ele fez fosse no mesmo tom do curta, acho que teríamos uma “classificação” diferente entre os melhores.

    1. O curta é fantástico mesmo. Achei melhor até que o próprio filme que o Jane estrelou. Comparando com os longas, eu colocaria ele em primeiro lugar, o War Zone em segundo e o do Jane em terceiro.
      Obrigada pela visita e pelo comment!

  5. O War Zone foi o mais próximo do Justiceiro. Concordei em tudo que vc disse. Com menção honrosa para o curta do Thomas Jane. Vejam meu ponto de vista, a questão do filme com o Thomas Jane, ótimos atores, roteiro péssimo. O do Lundgren é de uma época diferente de cinema. O War Zone teve ator principal no nível necessário, mas o resto… foi triste. Filme B mesmo.

  6. Não sei como ele está hj mas Thomas Jane se não mudou muito fisicamente seria um bom protogonista do novo Highlander (se é que vão refilmar) de comparação em minha opinião realmente o terceiro é o melhor

  7. Alicia, sou fa de carteirinha, do justiceiro, e aprovo tudo que ele faz, porem para min o piro e Ray Stevenson, eu acho que o problema foi direção, e que o cara trabalha muito mal, e culpo a direção, já Dolph Lundgren, para a época o filme foi bom, se olhar ele hoje e razoável, como melhorou muito o cinema, em muitas coisas como Historia, efeito etc, O justiceiro nos gibis ele realmente e um cara muito deprimido, como fez Dolph Lundgren, agora o melhor de todos e Thomas Jane, so faltou um pouco mais de crueldade, mais para adaptar para o cinema ficou bom. Hoje em dia e muito difícil eles usarem 100% da historia original, sempre sofre adaptação, aconteceu com Conan, Homem Aranha, e superhomem etc.

  8. Gostei desse post… curto esse lance de comparações entre filmes e concordo com praticamente tudo… war zone, por mais que não tenha sido tão bom (com o começo sendo a melhor parte do filme, vilões meio sem graças), é o melhor justiceiro. não pelo filme em si, mas pela frieza encorporada no rosto do ator o filme inteiro, como deve ser… por um exemplo: não imaginaria Thomas Jane estourar a cabeça de alguém com tanta ‘sede’ como fez Ray Stevenson… aquela cena pra mim valeu o filme

  9. Eu confesso que gostei sim do justiceiro do Thomas Jane , não pelo ator mas sim pela forma de como ele se vingou do cara que mandou matar a sua família inteira. Mas o Justiceiro Zona de guerra trás ao verdadeiro Castle.

  10. Realmente pra quem lê a HQ o Ray Stevenson, é o Justiceiro, o Tom jane é bom, pra agradar geral, mas o justiceiro não pode ser assim kkk

  11. Me desculpe, mas sinceramente não entendo esse desgosto em relação aos filmes do Justiceiro. Os dois últimos filmes são simplesmente dois dos melhores filmes q já vi em minha vida, principalmente o primeiro q marcou minha adolescência. Tava lendo a crítica, mas tive que parar em “John Travolta como antagonista (o cara mau que acaba com a família do Justiceiro), mas ainda assim não colou (o personagem dele ficou glamouroso demais, perigoso de menos)” perigoso de menos??? o cara era mais frio do que o iceman, matou o melhor amigo e a esposa a sangue frio, e vc diz perigoso de menos?? foi o um dos melhores vilões q já vi em Hollywood, e Travolta é ótimo como vilão. Além de vários comentários nada a ver q não vou contestar um a um. eu sei q cada um tem sua opinião e tals, mas foi lamentável essa analise.

    1. Opa, beleza?!
      Entendo seu ponto de vista, mas ainda discordo. Achei a interpretação do Travolta muito aquém da capacidade dele. Ficou clichê o personagem.
      Mesmo o personagem sendo um assassino a sangue frio (e que é coerente com a trama do filme, afinal ele era um chefão poderoso e de repente se viu traído, teve um surto psicótico e se vingou), a caracterização me pareceu forçada. Conhecendo outros trabalhos do Travolta, aquela atuação ficou decepcionante. Dava para fazer muito mais! Num mundo em que existem Patrick Bateman e Dexter Morgan, Howard Saint não passa de um garotinho com raiva.
      Mas eu acho que isso não é só por causa do ator. O roteiro do filme não é lá um clássico e, por ser uma adaptação, o público espera que a aura original seja mantida. Por isso, avaliando o filme como um todo, achei que o resultado ficou insatisfatório para o universo do Justiceiro.

  12. Olha gostei muito do filme justiçeiro (2004),não sei por que reclamam dele ,tem que lembrar que o filme não é só para os fãs.
    mas só entre nos o curta foi foda d+

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