Mentirosos (We were liars), de E. Lockhart

Fazia um tempo que eu via as pessoas comentando sobre esse livro, tanto que fiquei curiosa e resolvi comprar, mesmo nunca tendo lido nada da autora, E. Lockhart.

Mas vamos lá, resumão capenga do enredo do livro:

Cadence é uma garota rica que mora com mãe e sempre passa as férias de verão na ilha privada do avô. Lá ela encontra seus primos Johnny e Mirren, além do amigo de Johnny, Gat. Os quatro se tornam grandes amigos até que Cadence sofre um acidente que a faz perder a memória. Depois disso, a amizade deles se desmancha e Cadence tem que lutar contra sua própria deficiência para entender o que aconteceu.

Mentirosos, E. Lockhart

Em primeiro lugar: eu adorei a livro. Mentirosos é um mistério para adolescentes muito bem escrito. Você consegue se relacionar com os personagens logo de cara e fica torcendo para tudo dar certo pra eles.

A grande jogada da autora foi fazer com que o leitor soubesse só aquilo que a protagonista, Cadence, sabe. E ela está com amnésia! Aaaaahhhhhh!!!!!! Você vai descobrindo alguns fatos aos poucos, montando o quebra-cabeças que a vida dela se tornou, e de repente…

…de repente vem a pior parte do livro. Ao invés de continuar revelando aos poucos o que aconteceu com Cadence e seus primos (eles eram super amigos e de repente não se falavam mais), o livro simplesmente chega e fala: “na verdade foi isso o que aconteceu, a Cadence não sabe de nada. BOOM”. Destruiu a surpresa, sabe?

Fiquei com a impressão que o próprio livro soltou um spoiler!

Apesar disso, o livro não perde em qualidade. Depois da sensação de spoiler, a narrativa volta para o ponto de vista da protagonista e ela relembra em detalhes o que aconteceu. O desfecho da história é surpreendente. Sério!

Mudando de assunto

Esses dias eu estava pensando em como a literatura nacional para adolescentes perde em qualidade quando comparada com o que é lançado lá fora. Perde feio!
Tomando o livro Mentirosos como exemplo, eu ainda não li um livro YA nacional que me faça acreditar que possa entrar no mercado para competir com ele. Alguém aí tem alguma sugestão que me faça mudar de ideia? Alguém?

Voltando ao assunto: Onde comprar Mentirosos

Tem para comprar a edição da Editora Seguinte na Saraiva, no Submarino, na Livraria Cultura e na Livraria da Folha.
O Ebook da Leya tem na Livraria da Folha.

Pra quem estiver treinando o inglês, tem a edição importada no Submarino (que foi onde eu comprei)  e na Saraiva.

Antes de comprar, verifique se o valor do frete deixa a encomenda mais barata. Lembrete: os links acima geram comissão para o blog. ;)

Guns N’ Roses: uma biografia não autorizada

Hoje é polêmica, babado e confusão!

Quer dizer, nem tanto. Mas o livro de hoje é daquele tipo que os “personagens” não queriam (ou não sabiam) que ia existir. A banda que o tempo esqueceu é uma biografia não autorizada da banda Guns N’ Roses, escrita por Paul Stenning.

Quem é Paul Stenning:

É um escritor e jornalista com muitos anos de experiência no rock, já tendo trabalhado para várias revistas e entrevistado muita gente do meio. Ele é autor de outras biografias igualmente não autorizadas (ah, esse Paul!) como uma do Iron Maiden, outra do AC/DC e mais outra sobre… o Robert Pattinson.

O livro:

A banda que o tempo esqueceu foi escrito tendo como base as várias entrevistas que o autor fez com pessoas relacionadas ao Guns N’ Roses e entrevistas antigas dos membros, complementado pelas interpretações que o autor fez das músicas da banda. É uma biografia não autorizada, mas não é o tipo de livro que o artista vai querer mandar retirar das vendas e queimar todo o estoque. Há passagens com assuntos polêmicos e questões pessoais e/ou problemáticas, mas não me parece ser desrespeitoso em nenhum momento.

A primeira edição é de 2004, e saiu uma nova e revisada em 2011. Os fatos narrados vão desde a criação da banda até a data de publicação, sendo que a edição revisada tem várias notas de rodapé e um mini-capítulo extra contando algumas novidades.

Guns N' Roses - A banda que o tempo esqueceu

O mais legal do livro:

É uma biografia diferente das que eu já li. Ao invés de narrar um evento após o outro em ordem cronológica, Paul Stenning procurou costurar as histórias que conseguiu descobrir com a trajetória pública da banda. Por exemplo: um dos assuntos do livro é o comportamento explosivo de Axl Rose no palco, durante entrevistas e etc. O autor tenta fazer um paralelo disso com a infância de Axl e com o conteúdo das letras das músicas que ele escreveu.

Outra coisa bem curiosa: o começo do texto trata dos tempos de pobreza da banda. Há uma passagem citando entrevistas e conversas antigas em que a banda contou que vivia de favor na casa de amigos ou com apenas 2 dólares por dia, comendo biscoito com molho de carne (ieca!). E pensar que eles viraram tudo o que são hoje.

Se o livro fosse só sobre o primeiro contrato em diante não causaria o mesmo impacto, sabe?

Para quem não conhece nada sobre o Guns N’ Roses, ou nada sobre o cenário musical da década de 80, o livro é um ótimo começo. Para quem já é fã e conhece tudo da banda, é um registro impresso interessante. Eu mesma, que sou fã já faz uns 20 anos, lembrei de várias histórias que se refletem até hoje na identidade da banda.

A impressão que tive é que o autor é fã também e quis fazer essa análise mais aprofundada de cada detalhe da vida da banda. Muito interessante! Infelizmente, o livro é bem curto e, por este e outros motivos, ele deixa de lado várias passagens importantes da história da banda e alguns períodos nem são mencionados Um exemplo? A saída de Slash. Não fala nada disso! E falando nisso…

O que não é tão legal:

Essa biografia se propõe a falar da banda, mas a verdade é que ela foca muito mais no Axl Rose, vocalista (e pianista, letrista, compositor, aquele doido de que todo mundo lembra).

Os buracos na cronologia também são um ponto fraco. Depois da gravação dos últimos álbuns nos anos 90, há um salto até o momento atual (início dos anos 2000). Por que isso é um problema? Foi justamente nessa época que os fãs e a mídia ficaram mais carentes de informações sobre os membros. Cada um foi para um lado, alguns com novos projetos, outros se isolando do show business, enquanto os rumores de uma possível reunião pipocavam com frequência e ninguém nunca aparecia para explicar nada. O livro traz um capítulo contando apenas sobre Axl nesse período. E o Izzy? E o Duff? E o Slash? E o resto da galera toda que entrou e saiu da banda até então?

De um modo geral, avaliando de 0 a 10, eu daria nota 6 para este livro. Ele é gostoso de ler, tem bastante informação, mas peca nos detalhes e no “acabamento”.

A edição brasileira saiu pela Beast Books (editora até então especializada em publicações relacionadas ao rock e heavy metal, mas que sumiu). A encadernação é simples, fotos em preto e branco, errinhos chatos de digitação… sabe aqueles problemas que uma boa revisão evitariam? Pois é! Mas isso não tira o brilho da obra, principalmente para os fãs que sempre gostam de ler algo mais sobre sua banda favorita. ;)

A única loja online em que encontrei foi a Saraiva e, agora que pensei, eu também comprei lá, só que na loja física. Saraiva garantindo o estoque rocker!

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Gongo-Sôco: romance para aprender história

Olha… se você começou a se interessar por romances históricos por causa do Laurentino Gomes e seu 1808, você provavelmente vai gostar desse livro.

Gongo-sôco é um romance histórico ambientado no Ciclo do ouro em Minas Gerais. Escrito por Agripa Vasconcelos, o livro é o quarto da série Sagas do País das Gerais.

E então, vamos par ao resumão capenga básico de costume?

O livro narra a vida de João Batista Ferreira Chichôrro de Sousa Coutinho, o 1º Barão de Catas Altas, desde sua juventude até a velhice, passando por seu enriquecimento inacreditável, visitas do Imperador e seus diversos momentos nouveau riche.

Se eu contar mais estraga!

Gongo-sôco, por Agripa Vasconcelos

A história do Barão (uma pessoa real que viveu em Minas Gerais no século XIX) é tão espantosa e fantástica que parece ficção. Usando este personagem (já mencionei que ele existiu mesmo?), Agripa Vasconcelos conta a história desse pedaço do país de uma forma que nem parece verdade.

Você tem preguiça de estudar História? Dá uma olhada nesse livro porque ele pode te ajudar a mudar de ideia. ;)

As descrições dos jantares luxuosos e das construções imponentes que impressionaram até o Imperador D. Pedro I, na minha opinião, são as partes mais curiosas e impressionantes da obra. Eu lia cada linha tentando imaginar como aquilo era possível.

Já a relação dos senhores com os escravos, a vida cotidiana, a medicina e os costumes das pessoas ajudam a entender como era a vida no século XIX e o quanto a história de vida do Barão era singular para seu tempo, mesmo se considerarmos o fato de que estamos falando de um período de muita riqueza e opulência. A gente aprende na escola que Minas Gerais tinha muito ouro, muito mesmo, mas ler Gongo-sôco é o mesmo que dar uma rasteira na imaginação mais criativa e exagerada.

Só um exemplo: há uma passagem no texto em que fingem que o ouro em pó é sujeira só para impressionar. Toda uma vibe tenho-ouro-pra-jogar-fora!

Além de ser um relato importante da história do Brasil, o livro é agradável de ler, não é maçante nem nada disso. Como o próprio autor falou uma vez: “Eu não invento, apenas romanceio a história. É história e não estória.”

É claro que minha opinião sobre o livro é viciada. Afinal, eu gosto de história e sou de Minas Gerais. Portanto, relevem o fato de eu estar torcendo pro meu próprio time. [Nossa, fui muito nerd zé ruela agora…] Acontece que o enredo/história é envolvente, os personagens são curiosos, os acontecimentos surpreendem. Eu amei o livro!

Apesar de Gongo-sôco fazer parte de uma “série”, os eventos narrados em cada livro são independentes, então você não precisa ler todos na ordem para entender. Por exemplo, o livro 3 é sobre Dona Bêja (outra protagonista, outro lugar).

Onde comprar

A edição que eu tenho foi comprada num sebo e é de 1966. Essa edição tem ilustrações da Yara Tupynambá (que complementa o regionalismo mineirês da obra com louvor, HA!). Felizmente, existe um edição mais nova, de 1996, que é relativamente fácil de encontrar.

Tem no Submarino, na Livraria Cultura e nas Americanas.

Dica eXperta: calcule o frete em cada loja para checar qual preço final fica mais em conta.

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Anexos: romance pra gente grande da Rainbow Rowell

Olha eu aí lendo romance, achando que vou odiar e pagando língua depois de mais de 300 páginas. Pois é… É a vida!

Existem dois tipos de livro que eu não gosto: coleção de crônicas e romance. Já encontrei exceção para as crônicas, agora foi a vez dos romances. Então vamos lá! O que é Anexos, livro da Rainbow Rowell que saiu esse mês no Brasil?

Beth e Jennifer trabalham num mesmo jornal, mas em seções diferentes. Por isso, elas se comunicam por seus e-mails de trabalho. Seus relacionamentos, experiência de vida, opiniões e tudo mais vão e voltam em diversas mensagens durante o expediente. O problema é que tem mais alguém lendo suas mensagens. Não é segredo para ninguém lá no jornal que existe um funcionário com a função específica de detectar e-mails que não sejam relacionados ao trabalho e mandar advertências para os tagarelas. Mas Lincoln nunca mandou um advertência para as duas amigas! As mensagens delas são interessantes demais…

Se eu contar mais vira spoiler!

Eu estou com esse livro faz um bom tempo aqui (a versão importada), mas deixei de lado por um tempo porque bateu a preguiça de ler romance. Mas aí o livro saiu no Brasil e… Pá, agora eu vou ler!

Mas como assim que eu fui gostar logo de um romance? Acho melhor explicar porque eu não gosto de romances primeiro: sabe quando a garota conhece o garoto, eles se apaixonam perdidamente, vários obstáculos os impedem de ficar juntos, mas no final o amor vence tudo? Pois é, ODEIO.

MÃS Anexos não é assim! As relações, os diálogos, o processo conhece-apaixona-tenta-ficar-junto é todo atrapalhado, desajeitado, mas não de um jeito fofo e engraçadinho. Às vezes é embaraçoso, às vezes complicado… muito parecido com a vida real e nada a ver com comédias românticas.

Eu vi vários comentários sobre o diálogo e uma ou outra passagem do texto serem muito engraçados e tal, mas a verdade é que eu não achei exatamente engraçado. Eu chamaria de irônico ou sarcástico, mas não deixa de ser um leitura leve. Os capítulos são curtinhos, mas são MUITOS capítulos. O resultado disso é que você lê um capítulo, ele acaba rapidinho, daí você decide ler “só mais um” e quando vê já devorou metade do livro.

Coisas que mais gostei em Anexos:

♥ Romance sem mimimi de amor à primeira vista: Sério, gente! Que tédio isso. Felizmente, Anexos não cai nesse clichê.
♥ Personagens bem desenvolvidos: A maioria pelo menos. Os personagens não aparecem só como acessório na história, eles têm passado, personalidade e influenciam bastante na jornada dos protagonistas.
♥ Personagens reais: Até dói o quanto você consegue lembrar das pessoas que você conhece! Ainda não sei se eu deveria achar graça ou me lamentar por isso. XD
♥ A história sai bastante do modelo tradicional de romance e você fica sem saber como que vai acabar: Fica aquela sensação “E aí, vai ter final feliz?”.

Attachments by Rainbow Rowell

Para quem não sabe, Anexos foi o primeiro livro publicado da Rowell (em 2011!) e, por isso, o preço da edição importada tende a estar mais baixo do que da edição traduzida.

Em inglês: tem na Saraiva. Tem na Livraria Cultura também (aqui e aqui), mas achei caro!
Em português, o livro saiu pela Novo Século e tem: na Saraiva, na Livraria da Folha e na Livraria Cultura.
Dica: antes de fechar a compra, compare a diferença no valor do frete e confira se o total fica realmente mais baixo. Às vezes, o livro está mais barato num lugar, mas o frete está alto e deixa a compra toda mais cara no final.

Os links acima geram comissão para o blog, okay? ;) Você pode procurar por conta própria. Joga no buscador
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