Vlad Tepes

DRACULA COMO ÍCONE DA LITERATURA VAMPIRESCA

Depois de publicar a resenha, está na hora de falar sobre algumas curiosidades que envolvem o livro de Bram Stoker. Acredite, elas são muitas e eu não vou falar nem de metade.

É claro que eu não fiz aqui um estudo histórico aprofundado! Meu único objetivo foi apontar alguns fatos interessantes e esclarecer a diferença entre ficção e realidade que não parece muito clara quando o assunto é Dracula.

Um aviso: este texto possui alguns spoilers. Se você nunca leu Dracula, sugiro conferir apenas a resenha. Se está tudo bem para você saber de alguns detalhes antes de ler a obra, continua aí que vai começar:

∗ Dracula de Bram Stoker não foi o primeiro livro sobre vampiros

Mas é o fundamental, digamos assim. Foi adaptado e imitado à exaustão. Influenciou e continua influenciando mesmo depois de mais de cem anos desde sua publicação.

∗ As lendas e mitos sobre criaturas sobrenaturais sugadoras de sangue e/ou energia vital estão presentes em diversas culturas

A literatura, por sua vez, sempre fez uso de lendas para contar suas histórias e com os vampiros não seria diferente. O que  se tornou diferente foi o fato de o personagem Dracula ficar TÃO famoso a ponto de obscurecer as fontes que inspiraram Bram Stoker para criá-lo.

∗ Confusão entre fatos históricos, personagens fictícios da obra e derivações da cultura pop

Já vi afirmarem que o Conde Dracula realmente existiu e que ele era um homem sanguinário, por isso começaram a achar que ele era um vampiro. Não é bem isso! Quem existiu mesmo foi Vlad III, príncipe da Valáquia no século XV. O nome “Dracula” é um patronímico de Vlad III.

Olha o carão do Vlad III aí
Olha o carão do Vlad III aí

Veja bem: patronímico é um nome ou apelido de família (sobrenome) cuja origem encontra-se no nome do pai ou de um ascendente masculino. O pai de Vlad III (o Vlad II da Valáquia) adotou o nome “Dracul” depois de ser investido na Ordem do Dragão em 1431. Na língua romena, a palavra Dracul significa “o dragão”. Adicionando a partícula “a”, Dracula significa “o filho do dragão”.

Foi durante as pesquisas para seu livro que Stoker encontrou o nome Dracula. Aí sabe como é, né? O autor gosta de uma palavra, fica intrigado, vai ler mais sobre o assunto, descobre quem era o dono do nome, uma coisa leva à outra e POF! Vlad III acabou sendo uma inspiração para o personagem principal de seu livro e existem várias referências à ele na obra.

Será que deu pra entender o que tentei dizer?

Este é um recurso bastante usado por escritores: misturar personagens reais aos fictícios para dar mais veracidade para sua obra, para aumentar o conflito na trama, incentivar a curiosidade geral e impulsionar o sucesso da obra. Além das referências e descrições de lugares reais, Bram Stoker escolheu insinuar que seu personagem, enquanto ainda era humano, havia sido um príncipe da Valáquia. Entre essa insinuação até considerar que o “vampiro Dracula” realmente existiu há uma distância enorme!

Tem mais:

∗ As características e história de Dracula versus arquétipos de vampiro e de caçador de vampiro

Stoker enumera várias características desse poderoso vampiro por meio de outro personagem também muito conhecido na cultura pop: Van Hesing. Sim, o Dr. Abraham Van Helsing aparece na segunda parte da trama  para ajudar a desvendar o que se passa e salvar inocentes.

Ou seja, talvez você tenha visto um filme com o Van Helsing bancando o super herói e nem sabia que ele era um professor idoso, genial e cheio de caprichos que um dia derrotou Dracula. É… Van Helsing é criação do Stoker também.

Nas centenas de adaptações para teatro, cinema e tv, o personagem Drácula foi transformado, adaptado, distorcido e plagiado sem dó nem piedade. Mas foi na obra de Bram Stoker que ele nasceu e é nela que você vai encontrar as reais intenções, poderes e  fraquezas do personagem que ficou tão importante que passou a ser confundido com o próprio arquétipo de vampiro.

Sabe quando, em True Blood, os vampiros não conseguem entrar numa casa porque não foram convidados? Tem isso em Drácula. E vampiros saindo sob a luz do dia? Não pode? Pode sim. Tem isso em Drácula também.

Não estou afirmando que foi Bram Stoker que criou essa limitação. Pode ser que ela esteja presente em algumas das infinitas lendas existentes ao redor do mundo. O que me arrisco a afirmar é que foi Stoker quem levou isso para o mainstream.

Mas por que será que Dracula e Van Helsing cresceram tanto a ponto de saírem de sua própria origem e irem povoar a cultura pop como personagens independentes? Pode ser por causa da qualidade da obra, por causa do appeal desses personagens, ou por causa da falta de criatividade da indústria criativa (#sarcasmodetected). Sei lá! Só sei que é assim.

A Parisiense

A Parisiense: o livro que achei que seria perda de tempo (resenha)

 

Sabe aqueles livros que você já ficou de saco cheio de tanto comentarem perto de você? Meu caso com A Parisiense, de Ines de la Fressange. Eu já tinha alguns livros sobre moda e estilo e achava desnecessário comprar outro. Afinal, tem tanta informação de graça por aí, por que gastar com mais um livro sobre o mesmo assunto?

A minha antipatia inicial, creio eu, também tinha a ver com o fato de que 11 em cada 9,2 blogueiras-it-girl recomenda o livro. Mas fazer resenha e explicar porque ele é bom eu não tinha visto ninguém fazer ainda. ¬¬

Como era de se esperar, minha curiosidade falou mais alto (é maldição do meu nome, gente!) e acabei comprando o danado. Então vamos lá!A ParisienseO que é:

“A Parisiense – O guia de estilo de Ines de la Fressange” traz uma série de conselhos e ensinamentos para aquelas que pretendam se vestir à moda parisiense, descrevendo as características principais e mais básicas do estilo.

Por que é legal

O livro não é do tipo que caga dita regras como “vista isso porque fica bem no seu corpo” ou “isso é brega, aquilo não é”. A maior parte do texto explica conceitos e atitudes que podem ser aproveitados por todo mundo (acho que homens também!).
Uma das coisas que mais gostei é que a autora não vai falando que você tem que comprar isso ou aquilo. Pelo contrário, ela explica que não é necessário ter um quarto cheio de araras abarrotadas de roupa para se vestir bem. E também que é legal quebrar regras!
O livro também destaca maior simplicidade e identidade no vestir. As dicas e sugestões também se estendem para a beleza, maquiagem, decoração, passeios e compras. Quem disse que precisa de dezenas de produtos para ficar bem? A Ines que não foi!

Para quem quer fazer uma viagem e conhecer Paris, Ines também aponta vários lugares (lojas, restaurantes, hotéis) que ela gosta e frequenta. É uma espécie de guia de viagens parceirão que só te leva pra onde ele gosta. :D

Sobre a edição brasileira

A Intrínseca caprichou. A capa imita couro vermelho, com letras e desenho em dourado (acho que dá pra ver bem na imagem acima), vem com uma fita para marcar a página em que você parou e o interior também é lindo: as folhas são grossinhas e brilhantes. Muitas cores e fotos em boa qualidade!

É claro que isso não é fator para definir se o produto é bom ou não, mas deixa eu explicar.
Quanto mais grossa a folha, mais gasto de papel. Mais pesado o livro fica e mais caro também. Por causa disso, nem todo livro deve ser assim: imagina o Senhor dos Anéis que calhamaço ia ficar! Mas no caso de A Parisiense faz sentido investir num papel com essas características, pois é o tipo de livro que vai “bater perna” junto com o leitor. Certeza que quem for viajar ou mudar o guarda-roupa por influência do livro, vai pensar em levar junto para consultar ali na hora. Bem, eu acho, né? Posso estar enganada. :)

Onde comprar

Eu comprei no Submarino, mas também tem na Saraiva e na Fnac. Os preços variam um pouco, então vale aquele esquema de calcular valor do livro + frete para ter certeza de onde vai ficar mais barato.

O livro também está à venda em outras lojas, mas os preços estão bem mais altos do que nessas que indiquei (e também porque não quero indicar loja de onde nunca comprei e não tenho certeza se é confiável).

Ah sim, os links acima geram comissão para o blog. Se não quiser contribuir com o positivismo na minha conta (Ahaha que tosco isso! Bati meu recorde!), joga no Google “A Parisiense –  O guia de estilo de Ines de la Fressange”.

Abraços!

Dracula - Bram Stoker

Dracula: de onde ele veio afinal? (resenha do livro)

Sendo o segundo personagem mais adaptado para o cinema, teatro e televisão (perde apenas para Sherlock Holmes), era de se esperar que, 117 anos depois, as origens de Drácula se tornassem um pouco confusas. Confusas a ponto de algumas pessoas acharem que Drácula é uma figura mitológica e não um personagem de um livro. Pois é… ele não faz parte de nenhum conto folclórico, quero dizer, não exatamente.

Mas não vou falar disso agora, deixa eu tentar explicar. Eu ia escrever apenas um post sobre o assunto, mas tem tanta coisa para falar sobre Drácula que achei melhor dividir. Num futuro post vou falar a obra e o personagem no contexto da literatura vampiresca e cultura pop. Neste aqui vai ter só a resenha do livro.

Dracula - Bram Stoker

Escrito por Bram Stoker, Drácula foi originalmente publicado em 1897 e, apesar de não ter sido um sucesso imediato, se tornou a obra ícone de toda a literatura vampiresca do mundo.

Sobre o que é:

o Conde Drácula convida um jovem advogado, Jonathan Harker, para visitá-lo em seu castelo na Transilvânia e preparar a mediação da compra de algumas propriedades na Inglaterra. O Conde se demonstra um homem polido e culto, muito interessado na cultura inglesa. Coisas estranhas começam a acontecer e Jonathan resolve que precisa fugir, mas o Conde exige que ele fique mais tempo.

Bem, esse é o que considero a primeira parte da história. Ela possui uma reviravolta importante, apresenta novos protagonistas e continua tensa e assustadora até o fim. Pode confiar!

É claro que todo mundo já viu, ouviu ou leu alguma coisa, por menor que seja, sobre o personagem Conde Drácula. Ou viu outras obras com vampiros e já conhece algumas tradições e lendas a respeito. Mesmo assim, vou me limitar a dar apenas essa introdução sobre o livro em si e não estragar totalmente a surpresa.

Uma nota interessante sobre a edição que tenho: ela inclui um capítulo extra chamado “O Convidado de Drácula”, que nada mais é que o Capítulo 1 do manuscrito original que o autor havia excluído, mas que foi adicionado nas edições recentes para a felicidade dos fãs.

Este romance é um pouco diferente dos que eu tenho lido ultimamente. Motivo: a trama é toda contada por meio de cartas, diários pessoais, telegramas, diários de bordo e citações de jornais. Isso deixa a sensação de que a história é real e que estamos lendo os relatos das pessoas que a testemunharam. Você só fica sabendo do que cada personagem consegue descobrir e entender por si mesmo. Não tem um narrador explicando o que realmente está acontecendo. E como é uma história de terror… medão na certa.

Tem hora em que você sabe que tem coisa errada acontecendo, mas o personagem não entendeu ainda e você fica naquela tensão!

Outra coisa legal: como esse livro já foi adaptado tantas vezes (e também modificado, desfigurado, copiado e transplantado), ler a matéria-prima que inspirou tantos trabalhos é uma experiência única. À medida que você lê, vai redescobrindo passagens, lendas e personagens que você já conhecia por outros meios.

Razões para amar:

♥ Se você ama vampiros, tem obrigação de ler Drácula.
♥ Se você odeia vampiros, te desafio a odiar esse livro também! #Duvido
♥ É um clássico da literatura mundial com centenas de adaptações para o cinema, o teatro e a televisão. Vou apenas citar alguns atores que já o interpretaram para dar uma ideia: Bela Lugosi, John Carradine, Christopher Lee, Gary Oldman, Gerard Butler e Luke Evans (no filme previsto para este ano, que parece que vai ser sofrível por combinar a obra original com adaptações anteriores e piorar a confusão que paira sobre o personagem, mas que vou assistir mesmo assim e possivelmente pagar língua). 
♥ É o tipo de livro para ler e automaticamente começar a odiar todas as adaptações. Seus amigos vão te achar super intelectual! hahaha
♥ Deveria ser obrigatório nas escolas!
♥ Drácula versus Van Helsing = luta do milênio (ou melhor, doS milênioS porque o livro é velho assim)
♥ Mistério: Eu fui dormir tarde várias vezes por causa da curiosidade que consumia meu ser e não me deixava parar!
♥ Suspense: Vários momentos de “Mas que diabos vai acontecer?” e “Oh meu Deus, e agora?” garantidos.
♥ Há muitas descrições de lugares reais que vão te deixar com vontade de viajar. Passo Borgo, aí vou eu! Whitby, tô indo também!
♥ Já está em domínio público e você pode baixar legalmente e gratuitamente aqui ou aqui , e o capítulo extra aqui (obs: em inglês).

Para quem não lê inglês, tem tradução para o português, claro!

Do menor ao maior preço: Submarino (R$16,90); Fnac (R$25,90 – edição bilíngue igual à minha); Saraiva (R$30,00); Submarino (R$30,90 – edição bilíngue igual à minha); Saraiva (R$37,00 – edição bilíngue igual à minha);
Dica esperta: o valor do frete pode fazer a diferença no preço final. Não compre o mais barato logo de cara sem conferir todos.

Bônus #BookPorn: Esta edição na Saraiva tem encadernação de luxo. Socorro!

Lembrando que os links geram comissão e quem quiser procurar onde comprar por conta própria, joga no Google “dracula bram stoker”. Só toma cuidado para não comprar uma adaptação ou “versão moderna” por engano! Muitas das milhares de edições existentes não fazem questão de deixar claro que não se tratam da obra original.

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UÉ, CADÊ?: O BLOG TÁ MUDANDO

Olás! Esse post é apenas para avisar uma coisinha.

Algumas pessoas devem ter reparado que alguns posts antigos não estão mais disponíveis. Categorias como a de CrônicasDecoração e Citações (entre outras), foram removidas. Vou explicar:

o blog Um Boulevard existe desde 2012 e, com o tempo, eu passei a escrever mais sobre determinados assuntos do que outros. Tendo começado falando de tudo um pouco, eu acabei focando em resenhas de livros e filmes, deixando que outros assuntos aparecessem cada vez mais raramente.

Por causa disso, algumas categorias não recebiam posts novos há mais de um ano, então resolvi mudar algumas coisas. Nas próximas semanas, o blog vai passar por uma atualização no layout, vou limpar o que não faz mais sentido, e tentar melhorar nos assuntos em que o blog está focando atualmente. Algumas dessas mudanças até já começaram.

Daqui pra frente (ou até quando eu mudar de ideia de novo), o blog vai focar mais em livros, filmes, séries e assuntos relacionados a esses temas.

Além do meu interesse pessoal, outra razão me levou a não variar tanto nas categorias aqui no UB. Hoje eu contribuo no blog Amigues e lá escrevo sobre vários assuntos (de Comportamento até Planejamento de Carreira e Estudos, passando por Moda, Bem-estar e Internet) que não são mais abordados aqui. Então, se interessar a alguém, confere lá o Amigues.

Aproveitando o post, eu queria me desculpar com os leitores que começaram a seguir o UB por causa das categorias que acabaram sumindo e agradecer por terem ficado por aí mesmo assim. Se vocês tiverem interesse em algum post antigo que não está mais disponível, entrem em contato comigo pela página de contato, ou mandando um e-mail para blogboulevard@gmail.com, ou ainda mandando mensagem pela página no Facebook. Eu recupero o texto aqui e envio por e-mail.

Abraços!

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